Professores e alunos não podem comer juntos no intervalo em Praia Grande

O impedimento foi explícito em um cartaz na escola Paulo de Souza Sandoval; sindicato acredita em assédio moral.

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13 ABR 2019Por Carlos Ratton11h19
Sindicato fotografa e divulga cartaz afixado na escola Paulo de Souza Sandoval, em Praia Grande.Foto: Reprodução

Escolas de Praia Grande estão proibindo professoras, atendentes educacionais, inspetores e outros funcionários de se alimentar junto com os alunos nos horários de merenda.

A informação em tom de denúncia é do Sindicato dos Servidores Municipais. Segundo o Sindicato, na escola Paulo de Souza Sandoval, no bairro Esmeralda, a diretora chegou a colocar um cartaz na parede do refeitório, alertando sobre a proibição e as consequências a quem descumpri-la.

O cartaz, ilustrado com duas câmeras de filmagem interna, diz que a determinação é da Secretaria Municipal de Educação (Seduc): "não é permitido comer durante as refeições das crianças. Lembrem-se que as imagens captadas pelas câmeras são também visualizadas e armazenadas pela central de monitoramento. Evitem constrangimentos desnecessários", previne o anúncio.

ASSÉDIO MORAL

Para o presidente do Sindicato, Adriano Roberto Lopes da Silva, o Pixoxó, a iniciativa pode ser caracterizada como "assédio moral". O sindicalista espera tratar do assunto pessoalmente com o prefeito Alberto Mourão (PSDB). Dos cerca de 12 mil servidores municipais, praticamente a metade, algo em torno de seis mil profissionais, trabalham na secretaria de educação. "Uma das bases da educação é a convivência social entre professores e estudantes", finaliza o sindicalista, que já foi inspetor de alunos na Cidade.

PROFESSOR

O professor Odair Bento garante que há quase dois anos existe a restrição. "Na escola onde leciono, a José Júlio Martins Baptista, a determinação é que os professores só podem se alimentar após o último recreio, que ocorre diariamente às 13h05. Ou seja, os professores que fazem recreio antes desse horário são impedidos de se alimentar", afirma.

O educador afirma que o recreio escolar em Praia Grande é chamado de intervalo dirigido, pois o "professor acompanha e fiscaliza o aluno. Sendo assim, fica impossível o professor zelar de sua turma e, concomitante, preparar a sua própria alimentação. Muitos professores lecionam o dia todo e, certamente, por não se alimentarem corretamente, estão adoecendo. Eu fui vítima disso, por não poder comer a merenda na hora do almoço e ter de preparar um lanche rápido ou comer um salgado. Tive gastrite e refluxo gástrico. Ou seja, adoeci no trabalho", exemplifica.

PUNIÇÃO

Para finalizar, Bento garante que professores são ameaçados de punição caso de alimentem em horários não permitidos, gerando frustração e a "certeza de que a Prefeitura não se importa com a saúde do professor. Fora isso, diariamente, vemos muitos quilos de alimentos sendo jogados fora, literalmente, no lixo por serem sobra alimentar. Muito triste".

PREFEITURA

Embora o cartaz seja explícito, a Prefeitura informa, por meio da Secretaria de Educação, que não há a vedação para que os servidores das escolas municipais se alimentem com os alunos. Contudo, a orientação, especialmente no segmento da Educação Infantil, é que os funcionários tenham cuidado para que a rotina de alimentação das crianças transcorra de forma prioritária e com normalidade.

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