Papo de Domingo: ‘Serei um guardião das metas’

Presidente do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb), Alberto Mourão fala sobre os objetivos da gestão

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02 JUL 2017Por Rafaella Martinez10h00
'Faltou unidade política de pensamento. O senso de individualidade não superou as nossas deficiências regionais', afirma MourãoFoto: Matheus Tagé/DL

Eleito por aclamação como o novo presidente do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb), Alberto Mourão tem como principal objetivo promover o desenvolvimento da região metropolitana da Baixada Santista. Isso só será possível, de acordo com o gestor, com a união dos nove municípios na busca de soluções conjuntas para problemas que refletem em toda região. 

Neste Papo de Domingo Mourão fala sobre as principais metas a serem cumpridas nos cinco eixos prioritários de sua gestão, definidos de forma coletiva com os demais prefeitos da região: saúde, desenvolvimento econômico e geração de emprego, mobilidade, habitação e segurança.
Confira a entrevista.

Diário do Litoral - O senhor foi eleito por aclamação presidente do Condesb e já começa a promover  ações que interligam todas as cidades da região. Quais são os planos para a gestão?

Alberto Mourão – Todos os prefeitos se reuniram e estabeleceram uma pauta comum de cinco eixos prioritários a serem tratados. Esses eixos têm objetivos claros e metas a serem alcançadas. Quando temos um plano de metas nas cinco áreas e elas foram detalhadas e amplamente debatidas, abertas à população e aos formadores de opinião, a sociedade zelará pelo cumprimento de cada uma delas. Precisamos reforçar a mentalidade regional, que existe no papel, mas não ­culturalmente.

Diário do Litoral – O primeiro assunto a ser amplamente debatido foi a saúde, a partir da apresentação de um diagnóstico sobre o tema. O que foi identificado nesse mapeamento?

Mourão – Estamos fazendo uma radiografia, levantando a demanda reprimida regional e além disso também queremos identificar os nossos indicativos  para mostrar e comparar com as outras regiões do Estado de São Paulo e deixar evidente o quanto é investido em nosso sistema de saúde por parte dos entes federativos federais e estaduais para mostrar que existe um subfinanciamento do sistema e que a gente precisa juntar prefeitos, deputados e vereadores independentemente de bandeiras partidárias para buscar melhorias.

DL – O principal objetivo do Condesb é tratar dos assuntos inerentes aos campos funcionais de interesse comum da Região Metropolitana da Baixada Santista. O senhor acredita que faltou planejamento ao longo dos últimos anos?

Mourão – Faltou unidade política de pensamento. No caso da saúde, há dez anos foi feito um planejamento, mas não houve um aprofundamento nesse planejamento com mais detalhes. É necessário unir esforços e pensamentos e isso só será possível se a gente trabalhar com transparência. O que queremos fazer é mostrar os números com muita clareza sem achar culpados, pois o ataque não vai resolver. O que está evidente é que a individualidade não superou as nossas deficiências regionais.

DL – E quais são os planos para conscientizar sobre a importância da unidade política?

Mourão – Não adianta fazer uma radiografia com representantes do legislativo municipal, estadual, federal, dos secretários, dos prefeitos, dos gestores de saúde e do Ministério Público e a gente simplesmente voltar para casa, com os números apontados e esperar que um herói tome conta deles. Eu serei o guardião das metas e vou pressionar todos os entes e todas as esferas políticas para que a gente presiga essas metas. 

DL – Quais são os planos para outras áreas que precisam de soluções metropolitanas?

Mourão – A primeira é discutir a mobilidade urbana, pois sem ela você não acontece com as referências de saúde, com as referências de acessibilidade ao trabalho e com as referências de educação. O longe é perto se você se desloca em um tempo razoável. O longe é perto quando você não tem um alto custo de mobilidade e não paga R$30 em uma condução para vim dos extremos de uma região metropolitana e passa a ser um cidadão de quinta categoria. Você está lá no extremo de Peruíbe e vai gastar R$ 25 de seletivo para chegar em Santos e não vai conseguir emprego dessa forma. Precisamos equacionar a mobilidade regional, o que é visto com bons olhos pelo setor produtivo.

DL – O senhor citou, em visita à Câmara de Santos, que é preciso identificar por qual motivo o interior tem se desenvolvido e a Baixada Santista não. Quais são os outros componentes responsáveis por essa defasagem?

Mourão – O interior cresceu e aqui na Baixada não conseguimos acompanhar esse crescimento por conta do número elevado de desemprego. Precisamos debater o desenvolvimento econômico integrado e continuado. Temos a percepção de que isolados vamos desenvolver a economia e não vamos. O polo petroquímico e siderúrgico de Cubatão é fundamental para expandir outras atividades paralelas. Por exemplo o caso da matéria prima secundária, que é aquela que transformou a matéria-prima primária em algo que pode ser usado, como chapa e refino de petróleo, dos quais outros produtos podem ser produzidos e eu deixo essas atividades subirem a serra para serem reproduzidas em outros lugares. O Porto de Santos é entrada e saída de mercadoria e precisamos fazer uma discussão sobre isso.

DL – Quais serão os próximos encaminhamentos?

Mourão - Em agosto o Condesb abre um debate forte com os segmentos do trabalhador, do empresário, das forças políticas e universitárias para que a gente consiga fazer uma discussão mais clara para saber onde erramos na questão do desenvolvimento regional e na geração de emprego. A partir daí todos os outros pontos se resolvem. Vamos resolver a segurança aumentando o efetivo do desenvolvimento econômico e discutindo de forma integrada para superar as adversidades.

DL – E nesse cenário devem participar ativamente todos os representantes políticos da Baixada  Santista?

Mourão – Na eleição passada, dos 70 deputados federais do Estado de São Paulo que foram eleitos, 46 foram votados na Baixada, mas só três estão com peso. Dos estaduais 41 foram votados em uma assembleia de 90. Somente três buscam recursos. Ou a gente começa a pressionar esses deputados que tiveram muitos votos na região ou eles vão voltar ano que vem pedindo voto e vão ignorar a nossa situação. Ou há uma união política ou vamos continuar assistindo o fortalecimento de outras regiões em detrimento da Baixada Santista por puro comodismo.