MPT aciona Praia Grande por demissões no Hospital Irmã Dulce

Ação civil pública envolve ainda duas gestoras após demissão em massa de 257 trabalhadores do hospital

Os desligamentos ocorreram sem qualquer negociação com os sindicatos das categorias envolvidas

Os desligamentos ocorreram sem qualquer negociação com os sindicatos das categorias envolvidas | Nair Bueno/DL

O Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou com uma ação civil pública contra a Prefeitura de Praia Grande, a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) e Associação de Gestão e Execução de Serviços Públicos e Sociais (BIOGESP) após a demissão em massa de 257 trabalhadores do Complexo Hospitalar Irmã Dulce.

De acordo com as provas obtidas durante a investigação, os desligamentos ocorreram sem qualquer negociação com os sindicatos das categorias envolvidas, o que contraria decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), que exige diálogo prévio em casos de demissões coletivas. Os trabalhadores atuavam em áreas essenciais como limpeza, administração, portaria e fisioterapia.

A troca de gestão do hospital, que passou da SPDM para a BIOGESP em julho deste ano, previa que os contratos de trabalho seriam mantidos. No entanto, apenas nove dias após a assinatura do novo contrato, o secretário municipal de Saúde determinou à SPDM a dispensa dos funcionários, ao invés de exigir o cumprimento do contrato.

Além da falta de negociação, o MPT identificou uma série de irregularidades, como dívidas salariais, não pagamento de verbas rescisórias, Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço (FGTS) e contribuições previdenciárias. 

A SPDM confessou débitos que somam quase R$ 900 mil, enquanto o passivo trabalhista total ultrapassa R$ 28 milhões. Mesmo com repasses mensais de R$ 20 milhões à nova gestora, os direitos dos trabalhadores não foram assegurados.

Na ação, o MPT pede que as demissões sejam anuladas e que os trabalhadores sejam reintegrados à BIOGESP. Também solicita multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento, além da desqualificação da BIOGESP como organização social. O órgão requer ainda o pagamento de R$ 20 milhões por danos morais coletivos e R$ 20 mil para cada trabalhador afetado.

Para o MPT, as três instituições agiram de forma coordenada, o que configura responsabilidade solidária pelos prejuízos causados. “A dispensa em massa sem negociação sindical é inconstitucional, não convencional e socialmente inaceitável”. 

O MPT atua para garantir que os direitos fundamentais dos trabalhadores sejam respeitados, especialmente quando há recursos públicos envolvidos”, alega o Ministério Público do Trabalho na ação.

A iniciativa reforça o papel do MPT na defesa da ordem jurídica trabalhista, da função social do trabalho e da proteção contra dispensas arbitrárias, especialmente em serviços públicos essenciais como a saúde. 

A ação busca não apenas reparar os danos causados, mas também inibir práticas lesivas e garantir o respeito aos direitos fundamentais dos trabalhadores. A Justiça do Trabalho na Praia Grande marcou uma audiência para o próximo dia 15 de outubro.

Prefeitura

A Secretaria de Saúde Pública (Sesap) de Praia Grande informa que a gestão do Complexo Hospitalar Irmã Dulce, que compreende o Hospital Municipal Irmã Dulce, o Pronto-Socorro Central, a UPA Samambaia e a Nefro-PG, está passando por um período de transição, com a assunção da Biogesp como vencedora do edital de chamamento público. 

E, como tal, estão sendo feitos os ajustes necessários para atender ao contrato de gestão e nesse período de adequação da estrutura organizacional é comum a chegada e a saída de profissionais. 

A Prefeitura reforça, no entanto, que os atendimentos seguem transcorrendo normalmente. A nova gestão tem buscado aprimorar os serviços e otimizar custos, garantindo uma assistência de qualidade e eficiente no âmbito orçamentário.

Importante explicar ainda que na data de ontem (18), a Secretaria de Saúde Pública (Sesap) de Praia Grande e a Biogesp receberam no Hospital membros do Sintrasaude para prestar esclarecimentos necessários.