SEDUC

Prisões de 'Fantasma da Calábria' e filho são vistas pela PF como 'abalo grande' no narcotráfico internacional

Nicola Assisi é acusado de ser um dos chefes de máfia ligada ao narcotráfico de cocaína; ele e o filho, Patrick Assisi, foram presos em Praia Grande

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09 JUL 2019Por Gilmar Alves Jr.09h29
Dólares, euros, reais e armas foram apreendidos pelos policiais na cobertura.Foto: DIVULGAÇÃO/POLICIA FEDERAL

O italiano Nicola Assisi, acusado de ser um dos principais integrantes do grupo mafioso 'Ndrangheta, que tem base na região da Calábria, sul da Itália, e o filho Patrick Assisi foram presos na manhã desta segunda-feira (8) em uma operação da Polícia Federal (PF), que aponta as capturas, realizadas em Praia Grande, como um "abalo grande" nas estruturas do narcotráfico de cocaína da América do Sul para a Europa.

O grupo mafioso, segundo a PF, controlaria 40% dos envios globais de cocaína, sendo o principal esquema criminoso importador para a Europa. No Brasil, segundo investigações, a máfia italiana tem ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) nas exportações da droga, produzida em países da América do Sul, via portos.

Nicola Assisi e Patrick Assisi eram procurados internacionalmente desde 2014. Segundo a PF, havia notícia de que ambos passaram por Portugal e Argentina utilizando-se de nomes falsos. Nicola já tem condenação a 14 anos de prisão por tráfico e associação ao tráfico na Itália. Ele é conhecido pela imprensa italiana como "fantasma da calábria" pelas constantes fugas e pelo modo como se esconde.

Em entrevista coletiva na Superintendência da PF em Curitiba, delegados que participam das investigações que resultaram na operação, denominada "Barão Invisível", concederam entrevista coletiva na manhã desta segunda. A ação, em uma cobertura de luxo em Praia Grande formada por três apartamentos, foi definida como "complexa", já que os acusados tinham um sofisticado sistema de vigilância, com câmera 360 graus na área externa, o que possibilitava, de acordo com a PF, "identificar todas as pessoas que acessavam o prédio".

Foram identificadas na cobertura paredes falsas. "Tudo preparado para esconder drogas, armas, muito dinheiro e também para que pudessem fugir em eventual abordagem policial", afirmou, na entrevista, o superintendente regional da PF, Luciano Flores Lima.

Lima definiu o endereço como "bastante difícil" de fazer investigação e vigilância, "porque contava com várias pessoas ao seu entorno, fazendo proteção desse mafioso, com tecnologia, câmeras de acesso remoto, cuidando de tudo o que se passava ao seu redor".

Os policiais apreenderam dólares, euros, reais, três armas, cocaína e veículos.

Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pedido da Representação da PF junto à Interpol, em cooperação com o Escritório da Direção Central para os Serviços Antidrogas (DCSA) da Itália no Brasil e com os policiais federais da cidade italiana de Turim.

PORTO DE SANTOS

Questionado durante a entrevista coletiva sobre possível ligação do grupo mafioso com uma apreensão de mais de uma tonelada de cocaína no Porto de Santos em 2018, o superintendente destacou que há suspeita "não só nessa apreensão, como em diversas outras". Lima diz que serão confrontados os traços dessa organização criminosa com as apreensões em diversos portos.

"Essa peça-chave do quebra-cabeça pode se encaixar em qualquer uma dessas investigações em andamento", afirma o superintendente.

Lima detalhou que na cobertura onde os Assisi foram presos foram encontrados equipamentos destinados à falsificação e fabricação de lacres utilizados em contêineres.

Em 2018, foram apreendidas 23,1 toneladas de cocaína no Porto de Santos, o que representou um recorde histórico. Neste ano, 12,1 toneladas da droga foram recolhidas no cais santista.

Em grande parte dos casos, é utilizada a técnica criminosa "rip-on/rip-off", em que a droga é inserida em carga regular sem o conhecimento do proprietário.