A Direção da Associação Assistencial Cidade de Criança está tentando agendar uma reunião com a prefeita de Praia Grande, Rachel Chini (PSDB), para sensibilizar a prefeita a se unir com a entidade em torno da implantação do primeiro hospital do câncer da Baixada Santista em seu complexo, localizado na Rua Adriano Dias dos Santos, no Jardim Solemar II.
Para isso, leva como principal argumento dados recentes do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde, o DATASUS, dando conta que a porcentagem de crianças da Região que têm que se deslocar em busca de tratamento em outras cidades do Interior de São Paulo está acima de 90%.
O DATASUS é um órgão da Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde, com a responsabilidade de coletar, processar e disseminar informações sobre saúde.
Os dados levantados pela Direção da Cidade da Criança são referentes ao período entre 2018 e o ano passado. Atualmente, a maior parte dos nove municípios amparados pelo Departamento Regional de Saúde IV, o DRS IV Baixada Santista, não oferece possibilidade de tratamento de câncer infantil para seus munícipes.
A Direção alerta que pais e mães levam seis horas e meia de viagem entre Itanhaém e Barretos (Interior do Estado), por exemplo, por um atendimento, gastando grandes somas em dinheiro com transporte, alimentação e medicamentos.
Se existisse um hospital em Praia Grande – cidade central da Baixada em termos territoriais – seria possível reduzir o tempo para somente 52 minutos de pacientes que moram em Peruíbe, outro exemplo revelado.
“Além disso, o novo hospital impactaria de forma positiva entre 1.700 a 2.100 pacientes existentes na região e os possíveis novos casos previstos para os próximos anos”, revela Direção da Cidade da Criança que não se conforma com a recente entrevista dada pelo deputado federal Alberto Mourão (PSDB), ao Diário do Litoral, semanas atrás.
Membro da Comissão Especial destinada a acompanhar as ações de combate ao câncer no Brasil, Mourão informou que o hospital do câncer da baixada santista é uma necessidade antiga da região que sempre o incomodou como gestor público, mas não vê a possibilidade do equipamento ser sediado na Cidade da Criança.
O deputado revela que atualmente seu objetivo é buscar apoio necessário para defender um plano de regionalização de prevenção e combate à doença na baixada, incluindo a construção e manutenção de uma unidade hospitalar dedicada à causa.
Mas, conforme explica, a proposta deve ser baseada em muito estudo técnico, inclusive quanto ao município ideal para a localização do hospital, e que sua ação não tem relação com a diretoria da Cidade da Criança.
“De qualquer forma, mais do que lutar pela construção do hospital em determinado lugar, é preciso verificar o custeio para o funcionamento da unidade. Não basta apenas indicar um local ideal, é necessário levar em conta também a construção do prédio adequado e, principalmente, o financiamento para custeio do empreendimento que fará os atendimentos à população”, revelou o parlamentar.
MESES.
A Diretoria da Associação vem se empenhando há meses em ceder o espaço para a implantação do hospital, conforme já divulgado em reportagens do Diário. Chegou inclusive a promover estudo de viabilidade técnica que priorizaria o atendimento a crianças e adolescentes da Baixada Santista.
Segundo estudos, o sistema construtivo do hospital seria inspirado no lego, telhados e paredes ecológicos; calçadas permeáveis; manutenção inteligente, reuso de águas fluviais; iluminação natural, tratamento de esgoto com biodigestor e geração de energia limpa.
Conforme publicado com exclusividade anteriormente, o documento já está em Brasília (DF) por intermédio do senador Alexandre Luís Giordano (MDB) e possui também ficha técnica da Divisão de Obras da Prefeitura de Praia Grande, sob responsabilidade do engenheiro Eduardo Cales Adriano.
Também conta com a aprovação do Conselho Municipal de Saúde do Município, além do apoio de mais de 40 técnicos. O projeto abrange os nove municípios do litoral, em uma área doada em comodato por 50 anos, renováveis por mais 50 anos, com aprovação de mesmo período para também um centro universitário na área da saúde.
Vale lembrar que a proposta vem sendo discutida desde março de 2020. Nas últimas décadas, com os vários altos e baixos da economia, a entidade passou a ter dificuldades para sobreviver.
A Cidade da Criança chegou a ser considerada pela Unesco referência internacional no atendimento a adolescentes na década de 70. São 600 mil metros quadrados (200 de área ocupada e 400 só de área preservada) praticamente ociosos, por isso a luta para reerguê-la.
A área possui espaço esportivo; oito pavilhões; alojamentos; casas e pequenos apartamentos, usina elétrica, lagoa; igreja e uma sede de 400 metros quadrados, com um consultório dentário montado, entre outros imóveis.
