'Vou lutar pelo fim dos privilégios', diz Diogo da Luz, candidato ao Senado pelo Novo

Em Santos, disse ao Diário que pretende, se leito, colocar em discussão alguns tabus, como o excesso de assessores e o a quantidade de privilégios.

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25 AGO 2018Por Carlos Ratton12h45
Diogo da Luz é candidato ao Senado pelo Partido Novo.Diogo da Luz é candidato ao Senado pelo Partido Novo.Foto: Paolo Perillo/DL

Paulistano, 61 anos, piloto de linha aérea, empreendedor e produtor rural, Diogo da Luz é candidato ao Senado pelo Partido Novo. Em Santos, disse ao Diário que pretende, se leito, colocar em discussão alguns tabus, como o excesso de assessores e o a quantidade de privilégios. Confira a entrevista: 

Diário – Essas serão mesmo suas principais bandeiras o Senado?

Diogo da Luz – É preciso moralizar a casa e promover cortes drásticos de despesas. Chega a ser chato ficar gastando tempo das pessoas abordando esses assuntos, mas os políticos parecem estar totalmente desconectados da realidade brasileira. 

Diário – Seja mais específico. 

Diogo da Luz – Precisa cortar cargos, os dois automóveis que um senador tem direito. Precisa reduzir verbas de gabinete, hoje em torno de R$ 220 mil mensais. Também existem outras verbas acessórias que permitem, por exemplo, que o senador alcance o patamar de 90 assessores. Tenho certeza que se perguntado, ele não sabe dizer o nome de todos de sua equipe sem olhar na tela de um computador ou numa folha de papel. Fico pensando o que eu faria com 12 assessores.

Diário – A justificativa não seria a necessidade de técnicos?

Diogo da Luz – As câmaras e o Senado possuem corpo técnico próprio. Esse corpo não é partidário e pode perfeitamente dar um parecer sobre uma proposta qualquer. A base de qualquer projeto pode ser perfeitamente acessada pela Internet, entidades, sindicatos, profissionais, enfim. Senador pode usar seu próprio veículo ou transporte público, até para poder avaliar o serviço. Ou seja, ele tem que se manter como qualquer cidadão que trabalha e se sustenta. Não é possível estarmos com 13 milhões de desempregados no Brasil e lá, no Senado, nenhum. Perderam a noção de realidade.

Diário – Além dos políticos, qual o outro grupo que estaria desconectado?

Diogo da Luz – As 30 milhões de pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza e que estão, infelizmente, fora do jogo. Esse grupo não se importa mais se o país e capitalista, socialista, comunista, democrático, enfim, porque para eles nada muda. Essas pessoas sabem votar, só que seus valores são outros. 

Diário – Esses grupos não são novos e é preciso uma mudança conceitual, não?

Diogo da Luz – É preciso um choque de seriedade, abrir mão de todos os privilégios existentes e acabar com a reeleição. Alegam que precisam de assessores para fazer pesquisas sobre o que a população precisa. Ora, pelo amor de Deus, leia jornal, converse com as pessoas. Eu, por exemplo, vou abrir mão de uma possível reeleição. Oito anos são suficientes para fazer um bom trabalho, voltar à vida cotidiana, reavaliar os valores e descobrir se atingiu os objetivos O estatuto do Novo permite somente uma reeleição para cada cargo. Somos contra políticos de carreira. 

Diário – Como o senhor avalia o Governo Temer?

Diogo da Luz – Triste. Mas uma coisa, em especial, me decepcionou muito. Ele (Temer) já havia feito tudo certo e errado na política. Quando chegou à Presidência, quase que por acaso, pensou em ser nome de praça no Brasil inteiro. No entanto, piorou a situação brasileira. 

Diário – A reforma trabalhista foi acertada?

Diogo da Luz – Deu um passo adiante, mas teria que dar muito mais. Temos que parar com a ideia que o Governo precisa nos tutelar. Sou por menos Brasília, menos interferência. Precisamos, aos poucos, devolver ao cidadão o poder de decisão. Municípios precisam ser mais autônomos. Santos, por exemplo, possui quase 500 mil habitantes e produz um PIB (Produto Interno Bruto) interno que cerca de R$ 20 bilhões por ano. Pouco desse montante volta de Brasília. Existe um verdadeiro ralo de incompetência, burocracia, enfim. Tem que pedir dinheiro para Brasília para fazer obras comuns. 

Isso é complicado. O prefeito gastar dinheiro com passagem de avião, com estadia, alimentação para buscar dinheiro que estava no município, é um absurdo. Os prefeitos estão perdendo mais tempo com o Ministério Público do que com o eleitor. Outra coisa, os municípios não interagem entre si. Ou seja: os problemas são os mesmos, as pessoas também e as soluções idem. Falta o dinheiro e as decisões ficarem na região. A ponte Santos Guarujá já deveria ter saído. 

Diário – O senhor acredita que a Previdência é mesmo deficitária?

Diogo da Luz – Sim, mas a reforma foi mal apresentada no ponto de vista de diálogo e técnico. Volta a falar que é preciso cortar todos os privilégios. Nem presidente da República deveria ter direito de aposentadoria especial. Trabalhadores da área da Segurança eu até entendo em função dos riscos, do estresse, enfim. 

Diário – A reforma política tem que ser pautada?

Diogo da Luiz – Ela é necessária, mas é perigoso ser discutida com esse Congresso atual. Tem havido reforma política em todos os anos eleitorais, mas sempre em prol deles (políticos). Precisamos primeiro reformar as pessoas. Gente que está comprometida a não se reeleger tem muito mais condição de realizá-la. 

Diário – O senhor acredita que Lula entra na disputa?

Diogo da Luz – Não. É uma indecência o que o PT está fazendo. Estão brincando com o eleitor. A Lei da Ficha Limpa foi proposta e sancionada pelo próprio presidente Lula. 

Diário – Mas o senhor acha que só ele deveria estar preso?

Diogo da Luz – Não. No Estado de São Paulo, muita gente deveria estar presa. As Polícias foram desmontadas para justamente atrapalhar as investigações. A mesma polícia que investiga o crime armado também investiga os crimes de colarinho branco. 

Diário – As privatizações foram boas para o Brasil?

Diogo da Luz – Foram feitas de forma fraca. Privatização não significa combate à corrupção. Temos que olhar pelo ponto de vista do cidadão. A concorrência é importante por conta disso, pois sempre trará vantagens ao cidadão. O bom seria que tivéssemos 100 ou 150 bancos em busca do cliente. E não quatro ou cinco. Tudo pode ser entregue à iniciativa privada desde que exista concorrência. 

Diário – Como o senhor analisa a onda conservadora?

Diogo da Luz – De forma preocupante. O Brasil tem que se manter na linha política democrática. Gosto de liberdade de ideias. Por exemplo, tenho um projeto que visa destinar parte do FGTS para ajudar no aluguel do trabalhador enquanto ele não define a compra definitiva de seu imóvel. Isso é simples de ser feito.