Venezuelanos prestam juramento para defender governo de Chavez

Vestindo vermelho, venezuelanos prestam juramento, a pedido de Maduro, para defender governo de Chavez.

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11 JAN 201310h01

Milhares de venezuelanos, vestidos de vermelho da cabeça aos pés, juraram pela Constituição que vão defender nas ruas o presidente Hugo Chávez e seu programa de governo. O juramento foi feito nessa quinta-feira (10) a pedido do vice-presidente Nicolás Maduro, que inaugurou o quarto mandato de Chávez com uma grande manifestação. Participaram chanceleres, presidentes e primeiros-ministros de países vizinhos. Sem a presença do presidente reeleito, que continua hospitalizado em Havana (Cuba), o ato foi o primeiro do novo governo.

Dirigindo-se à multidão, reunida em frente ao Palácio Presidencial Miraflores, Maduro leu o juramento, que o povo repetiu. “Juro pela Constituição Bolivariana que defenderei a Presidência do comandante Chávez nas ruas, com a razão, com a verdade, a força e a inteligência de um povo que conseguiu se libertar do domínio da burguesia”, disse Maduro. O vice-presidente aproveitou para denunciar um “complô de setores da direita, para buscar mortes e encher de sangue as ruas da Venezuela, com manifestações que dizem que vão fazer”.

Venezuelanos vão às ruas e fazem juramento de defender Chávez e seu plano de governo. (Foto: Divulgação)

Alguns políticos da oposição venezuelana convocaram uma marcha pacífica para o próximo dia 23, em repúdio à decisão do Tribunal Supremo da Justiça (TSJ), que aceitou o pedido do governo para adiar a posse de Chávez até que ele se recupere e possa voltar ao país.  A decisão, anunciada quarta-feira (9), prolonga o atual governo, permitindo a Maduro governar no lugar de Chávez, sem mandato popular. Na Venezuela, somente os candidatos à Presidência disputam eleições. O vice é nomeado pelo presidente eleito – mas Chávez sequer tomou posse.

“Respeitamos e acatamos a decisão do tribunal, mas isso não significa que vamos ficar calados e não vamos continuar nos mobilizando para estabelecer a ordem constitucional perdida”, disse o deputado oposicionista Alfonso Marquina. A marcha foi convocada para coincidir com o 55º aniversário do fim da última ditadura miliar venezuelana. Mas Maduro, além de assegurar o apoio da Suprema Corte e das Forças Armadas, também buscou legitimar sua posição em nível internacional. Na quarta-feira (9), telefonou para a presidenta Dilma Rousseff, que prometeu apoiá-lo.

O presidente do Equador, Rafael Correa, não pôde participar da manifestação porque está em plena campanha para a reeleição, mas manifestou seu apoio por escrito em uma carta lida durante o ato. Estavam presentes na manifestação convocada por Maduro os presidentes do Uruguai, Jose Pepe Mujica; da Nicarágua, Daniel Ortega; e da Bolívia, Evo Morales, além do ex-presidente Fernando Lugo, do Paraguai. O chanceler argentino, Hector Timerman, informou que a presidenta Cristina Kirchner estava a caminho de Cuba para visitar Chávez. Ele agradeceu a ajuda financeira dada pelo presidente venezuelano quando a Argentina saía da pior crise de sua história recente.

A grande incógnita agora é se Chávez vai voltar e quando. O presidente foi visto pela última vez em público ha exatamente um mês. Esta é a quarta vez que ele se submete a uma cirurgia, desde que foi diagnosticado com câncer, há 18 meses. “Mas, das outras vezes, mandava mensagens de Cuba, dava um telefonema ou fazia uma teleconferência”, lembra o taxista Gustavo Franco, que não votou em Chávez, apesar de ter mãe e irmão chavistas. “Desta vez, ele não mandou sequer uma mensagem pelo Twitter”.

Jairo Hernandez, como muitos outros militantes de Chávez, diz que vai apoiar Maduro até o presidente reeleito voltar ou decidir o contrário. “O presidente deu instruções muito claras. Antes de embarcar para Cuba, nos pediu para apoiar Maduro caso alguma coisa acontecesse com ele. Vou obedecer”, concluiu.

Hugo Chávez não pode tomar posse de seu quarto mandato, pois está em Cuba, onde está hospitalizado por conta de cirúrgia para retirada de um tumor na região pélvica, há um mês. (Foto: Divulgação)