Temer prometeu ajudar empresas no Porto de Santos, diz empresário preso à PF

A Rodrimar havia vendido um espaço no complexo portuário à Eldorado Celulose, do grupo J&F, mas o governo federal barrara a transferência de mais duas áreas contíguas para a empresa dos irmãos Batista.

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31 MAR 2018Por Folhapress15h57
O dono da Rodrimar, Antonio Grecco chega à sede da Superintendência da Polícia Federal em São PauloFoto: Aloisio Mauricio /Fotoarena/Folhapress

O empresário Antônio Celso Grecco, presidente da Rodrimar, disse à Polícia Federal que, num encontro em Brasília, Michel Temer prometeu ajudar a empresa a resolver uma pendência no Porto de Santos quando ainda era vice-presidente.

A Rodrimar havia vendido um espaço no complexo portuário à Eldorado Celulose, do grupo J&F, mas o governo federal barrara a transferência de mais duas áreas contíguas para a empresa dos irmãos Batista.

Além disso, a obra iniciada pela Eldorado estava atrasada e havia sido embargada pela Codesp (Companhia Docas de São Paulo), estatal que administra o porto.

Grecco disse que, diante disso, esteve em Brasília com "pessoas da Eldorado e tratou diretamente com a Vice-Presidência", sendo que "foi apresentar o projeto de adensamento [integração das três áreas] para a construção" de um terminal de celulose da Eldorado.  

"A resposta do presidente foi simplesmente: vou ver o que vou fazer", contou Grecco no depoimento. Ele acrescentou que, até hoje, "nada foi feito em relação ao adensamento".

O empresário foi preso na quinta (29) na operação Skala, que mira amigos de Temer e executivos de empresas portuárias por suposto envolvimento em um esquema de pagamento de propina ao presidente por favorecimento no governo.

O inquérito foi aberto após executivos da JBS, em delações premiadas, lançarem suspeitas sobre Temer. Ricardo Saud afirmou que, após um encontro com Temer, o então vice interferiu em favor da Eldorado . Relatou que Temer tomou nota dos detalhes e informou que ligaria para a Codesp para resolver a questão. Dias depois, informou, a obra foi liberada.

Saud e outro delator do grupo, Florisvaldo Caetano de Oliveira, disseram ainda que a JBS entregou R$ 1 milhão ao coronel João Baptista Lima, um dos amigos do presidente que estão presos. O destinatário dos recursos seria Temer.

Grecco é apontado pela PF como o principal articulador de empresários do setor portuário de Santos com agentes políticos.

No depoimento, o empresário negou ter relações comerciais com Temer. Acrescentou que não sabe se o presidente se envolveu nas negociações da venda da área da Rodrimar para a Eldorado ou "em relação à solução de algum dos problemas administrativos que surgiram durante ou após a com concretização do negócio".

Nesta sexta (30), a defesa de Grecco pediu ao Supremo Tribunal Federal um habeas corpus para libertá-lo. A ministra Rosa Weber não admitiu o recurso.