Temer pedirá ao Supremo acesso à decisão de Barroso

O receio da equipe presidencial é de que um recurso passe a mensagem pública de que ele queira esconder informações

Comentar
Compartilhar
06 MAR 2018Por Folhapress16h38
Temer informou que pediu ao Banco Central acesso aos extratos de suas contas bancáriasTemer informou que pediu ao Banco Central acesso aos extratos de suas contas bancáriasFoto: Divulgação/Fotos Públicas

O advogado criminalista Antonio Claudio Mariz, que defende o presidente Michel Temer, ingressará com petição para ter acesso a cópia do despacho do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso.

Ele informou ao emedebista que apresentará o pedido nesta terça-feira (6) e que não recorrerá da decisão de quebra do sigilo bancário do emedebista. O receio da equipe presidencial é de que um recurso passe a mensagem pública de que ele queira esconder informações.

Na segunda-feira (5), Temer informou que pediu ao Banco Central acesso aos extratos de suas contas bancárias e que as divulgará aos veículos de imprensa. A abertura dos dados financeiros foi solicitada no rastro da investigação de eventuais irregularidades cometidas na edição de um decreto do setor portuário.

Essa é a primeira vez que um presidente do país tem os seus dados financeiros abertos por decisão judicial durante o exercício do mandato. O período da quebra do sigilo é de janeiro de 2013 a junho de 2017.

Os extratos bancários serão organizados pela própria defesa do presidente, que pretende divulgá-los aos veículos de imprensa até o final desta semana.

A defesa do presidente avalia que não há fundamentos ou elementos que deem sustentação para a quebra do sigilo. Segundo o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, Temer está "contrariado" e "indignado".

"Não há como não se indignar diante do fato. É um inquérito fraco e inexistem indícios para uma decisão dessa. É uma decisão indevida", disse.

Ele afirmou que causou estranheza a falta de cautela da decisão em relação ao presidente.

Escalada

Segundo relatos, Temer tem reclamado de uma escalada jurídica contra ele desde que começou a ser cogitada a possibilidade dele disputar a reeleição neste ano.  

Para ele, faz parte dessa ofensiva, por exemplo, a inclusão de seu nome em inquérito da Operação Lava Jato que investiga os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral).  

Em conversas reservadas, ele demonstrou irritação com o pedido feito pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, de introduzi-lo na apuração.  

Nas palavras de um assessor presidencial, Dodge tem adotado postura semelhante a da presidente do STF, Cármen Lúcia, "ora se aproxima ora se afasta" do presidente.