Temer investirá em 'corpo a corpo' com parlamentares por votos para Previdência

O Palácio do Planalto acredita que tem cerca de 275 votos, número com que já contava em maio do ano passado

Comentar
Compartilhar
30 JAN 2018Por Estadão Conteúdo18h31
Michel Temer focará suas energias em um "corpo a corpo" com parlamentares para tentar convencer os indecisos a aprovar a reforma da PrevidênciaFoto: Presidência da República

Depois da "ofensiva de mídia" no fim de semana com entrevistas a rádio, emissoras de TV e jornal, o presidente Michel Temer focará suas energias em um "corpo a corpo" com parlamentares para tentar convencer os indecisos a aprovar a reforma da Previdência, no dia 19 de fevereiro, ou nos dias próximos dessa data. O Palácio do Planalto acredita que tem cerca de 275 votos, número com que já contava em maio do ano passado, e está convencido de que será possível conseguir que os cerca de 70 indecisos votem favoravelmente à reforma.

O governo se animou também com o discurso mais otimista do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que no fim do ano passado, dava sinais de desânimo, em relação à aprovação da matéria na Câmara. Às vésperas do retorno dos parlamentares do recesso parlamentar, Rodrigo Maia também retomou as negociações para angariar votos a favor da reforma.

Nesta terça-feira, 30, o presidente da Câmara vai promover um encontro na residência oficial com líderes partidários e o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, para tratar da estratégia de aprovação do texto do relator Arthur Maia (PPS-BA) Rodrigo Maia, que adotou na semana passada um discurso mais pessimista em relação às chances de vitória, agora vê possibilidade de aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

No Planalto, a leitura que os auxiliares de Temer fazem é que, para viabilizar sua candidatura como presidente da República, Maia precisa se esforçar para aprovar a reforma. Com a PEC votada em dois turnos na Câmara, Maia se consolidaria assim como representante do bloco governista na disputa eleitoral.

Ofensiva parlamentar

O presidente Temer já deu início a esse trabalho de convencimento dos parlamentares. Após a entrevista concedida ao vivo, na segunda-feira, na Rádio Bandeirantes, em São Paulo, Temer voltou para Brasília e passou a tarde recebendo parlamentares e líderes partidários. Primeiro fez uma avaliação com os ministros da Casa, Eliseu Padilha (Casa Civil) e Wellington Moreira Franco (Secretaria-Geral).

O governo entende que os deputados e senadores, durante o recesso, ao conversarem com os prefeitos e suas bases viram que a resistência à reforma já diminuiu muito e estão acreditando que a própria população vai pressionar os parlamentares. O governo conta com a pressão de prefeitos e governadores porque também estão com problemas de caixa para ajudar no convencimento aos deputados e senadores.

Além disso, a participação nos programas populares como Sílvio Santos, no domingo, foi considerada "fundamental" e "muito produtiva" por um dos auxiliares do presidente. A ofensiva de mídia foi encerrada na noite desta segunda-feira com a participação de Temer no Programa do Ratinho. Não estão descartadas, no entanto, novas entrevistas, mas este não é o foco do momento. Temer quer mesmo é conversar e negociar com deputados e senadores.

O presidente Temer acha que é hora, por exemplo, de começar a pressionar o PSDB, inclusive por meio do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para que ele entregue os votos do partido. O governo acha que consegue "arrancar" "uns 35" votos tucanos, da bancada de 47.

No início da noite, por exemplo, Temer recebeu o senador Aécio Neves (MG), que tem apoiado o Planalto na reforma. O governo sabe que, se não votar o texto agora em fevereiro, no máximo início de março, ficará praticamente impossível conseguir fazer a reforma passar.

Temer acredita que consegue tomar o termômetro da votação esta semana e a próxima, antes do carnaval, para garantir a aprovação da PEC na semana após a festa popular. O presidente já se reuniu nesta segunda, por exemplo, com o líder do MDB na Câmara, deputado Baleia Rossi (MDB-SP). Nos próximos dias, serão realizadas reuniões com todos os líderes. O presidente se reuniu ainda com o senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO) e o deputado Pauderney Avelino (DEM-AM).