Temer diz que mais uma vez tentam destruir sua reputação

Após se reunir com ministros e assessores no Palácio do Alvorada, Temer divulgou nota com ataques a "autoridades" que, segundo ele, tentam destruir sua reputação, por meio de "métodos totalitários".

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31 MAR 2018Por Folhapress12h00
O presidente já foi alvo de duas denúncias da PGR em 2017Foto: Fotos Públicas/Divulgação

Com a prisão de dois de seus amigos mais próximos, o presidente Michel Temer desencadeou nesta sexta (30) uma ofensiva para ofuscar a narrativa da Procuradoria-Geral da República, que o situa como possível pivô de um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro.

Após se reunir com ministros e assessores no Palácio do Alvorada, Temer divulgou nota com ataques a "autoridades" que, segundo ele, tentam destruir sua reputação, por meio de "métodos totalitários".

Ele não cita os amigos presos na Operação Skala e insiste que o decreto relacionado ao setor portuário não beneficiou a empresa Rodrimar.

"Sem ter fatos reais a investigar, autoridades tentam criar narrativas que gerem novas acusações", diz comunicado da Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República.

O texto segue linha de raciocínio que vinha sendo adotada, nos bastidores, por ministros após as prisões, na quinta (29). A tese é de que as prisões, autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso, foram decretadas para forçar delações que comprometam o presidente e criem um enredo substancioso que sirva de base para uma terceira denúncia contra Temer.

O presidente já foi alvo de duas denúncias da PGR em 2017. Ambas foram engavetadas pela Câmara. Agora, o Planalto volta a utilizar a estratégia de desqualificar as investigações, discurso que teve êxito na época da delação da JBS.

"Tentam mais uma vez destruir a reputação do presidente Michel Temer. Usam métodos totalitários, com cerceamento dos direitos mais básicos para obter, forçadamente, testemunhos que possam ser usados em peças de acusação. Repetem o enredo de 2017, quando ofereceram os maiores benefícios aos irmãos Batista para criar falsa acusação que envolvesse o presidente. Não conseguiram e repetem a trama, que, no passado, pareceu tragédia, agora soa a farsa", diz o comunicado.

A nota insiste que a ação teve viés político depois que Temer se colocou como pré-candidato à reeleição.
"O atropelo dos fatos e da verdade busca retirar o presidente da vida pública, impedi-lo de continuar a prestar relevantes serviços ao país, como ele fez ao superar a mais forte recessão econômica da história brasileira. Bastou a simples menção a possível candidatura para que forças obscuras surgissem para tecer novas tramas sobre velhos enredos maledicentes."