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Política

SP: Major Olímpio e Mara Gabrilli tiram Suplicy do Senado

Após liderar as pesquisas desde o início da campanha, Suplicy ficou apenas em terceiro, com 4,5 milhões de votos (13,3%).

Estadão Conteúdo

Publicado em 07/10/2018 às 21:46

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O vereador Eduardo Suplicy (PT), de 77 anos, não conseguiu sua cadeira no Senado. / Fotos Públicas

Surfando na onda antipetista que só cresceu em São Paulo desde 2014, os deputados federais Major Olímpio (PSL), de 56 anos, e Mara Gabrilli (PSDB), de 51, conquistaram neste domingo, 7, as duas vagas paulistas em disputa no Senado, desbancando o favoritismo do vereador Eduardo Suplicy (PT), de 77. Aliado do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), Olímpio obteve 8,8 milhões de votos (25,8%), a quinta maior votação de um senador da história, enquanto a tucana registrou 6,4 milhões de votos (18,6%). 

Após liderar as pesquisas desde o início da campanha, Suplicy ficou apenas em terceiro, com 4,5 milhões de votos (13,3%). Essa foi a segunda derrota consecutiva do petista, que não conseguiu se reeleger em 2014, quando José Serra venceu a disputa com 58% dos votos, após ter ficado 24 anos - três mandatos consecutivos - no Senado. O deputado federal Ricardo Tripoli (PSDB) obteve 9% dos votos válidos, seguido por Maurren Maggi (PSB), com 8,5%, e Mário Covas Neto (Podemos) e Jilmar Tatto (PT), ambos com 6% cada. 

Tanto Olímpio quanto Mara Gabrilli se projetaram politicamente nos últimos anos, a partir dos escândalos de corrupção da Petrobrás revelados pela Operação Lava Jato e do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Em março de 2016, por exemplo, Olímpio interrompeu aos gritos de "vergonha" a cerimônia na qual Dilma empossou o ex-presidente Lula como ministro da Casa Civil. A posse foi anulada por liminar do Supremo Tribunal Federal (STF). No mês seguinte, o deputado repetiu a expressão aos berros no microfone do plenário da Câmara dos Deputados ao declarar seu voto a favor da abertura do processo de impeachment da petista.

Olímpio já foi filiado ao PV, PDT, PMB e Solidariedade, antes de entrar neste ano para o PSL, sigla da qual é presidente estadual, para ajudar na coordenação da campanha presidencial de Bolsonaro. Nos últimos dias antes da votação, o deputado chegou a pregar aos bolsonaristas que anulassem o segundo voto para senador para que seus adversários na disputa não fossem beneficiados. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o número de votos nulos atingiu mais de 10 milhões, ou 21% do total.

Mara foi outra que se valeu da onda anti-PT para desbancar o favorito a uma das vagas no Senado. Vítima de um acidente de carro que a deixou tetraplégica aos 26 anos, ela ficou conhecida por seu trabalho a favor dos direitos das pessoas com deficiência, mas, nos últimos anos, também se destacou pelo discurso anticorrupção, com foco nos escândalos das gestões petistas.

Em 2015, chegou a entregar um dossiê ao juiz Sérgio Moro, no âmbito da operação Lava Jato, com supostas provas da ligação do esquema de corrupção na Petrobrás com a morte do prefeito petista Celso Daniel, em 2002. Em entrevistas à imprensa e discursos no Congresso, onde é deputada desde 2010, ela afirmou diversas vezes que "Santo André foi o laboratório do Mensalão e do Petrolão". Tais afirmações também foram veiculadas em sua propagandas política para o Senado, nas quais fazia questão de mencionar que o ex-presidente Lula sabia e participava de todos os esquemas ilegais.

Apostando nas falas duras contra o PT, Mara viu suas intenções de voto crescerem nas pesquisas das últimas semanas. A agora senadora eleita começou a campanha com apenas 6% da preferência do eleitorado, segundo pesquisa Ibope do final de agosto, e acabou o pleito eleita com o triplo do índice. Além de deputada federal por dois mandatos, Mara já foi vereadora por São Paulo (2007-2010) e Secretária Municipal da Pessoa com Deficiência na mesma cidade, entre 2005 e 2007.

PT

Essa foi a primeira eleição com duas vagas ao Senado desde 1994 que o PT não consegue eleger uma única cadeira. Desde então, o partido elegeu Suplicy duas vezes (1998 e 2006), Aloizio Mercadante (2002) e Marta Suplicy (2010), que depois foi para o MDB. 

Na campanha deste ano, Suplicy apostou as fichas no fato de ser o mais conhecido dos candidatos - em inserções na TV, aparecia sem falar nada, só coando café. O recall, contudo, foi perdendo força após os ataques de adversários, que exibiram uma fala do petista dizendo que queria ter visitado Lula na prisão em Curitiba.

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