“Sou um funcionário público”

Vereador Kenny será o primeiro secretário da Mesa Diretora da Câmara

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27 JAN 201312h36

Canadense nascido há 41 anos em Thompson, Kenny Mendes, Professor Kenny (DEM), veio ao Brasil pela primeira vez aos 6 anos. Depois retornou ao país natal outras vezes até se casar com uma brasileira. Professor universitário de Inglês e Francês, Kenny chegou à Câmara em sua segunda tentativa. E já ocupa cargo de destaque: é o primeiro secretário da Mesa Diretora do Legislativo. Veja, a seguir, suas ideias para a Cidade e para a Câmara:

Diário do Litoral – Como surgiu no senhor o interesse pela Política?
Professor Kenny – Com os alunos, principalmente. Sou professor de turmas em três anos seguidos e acabo formando uma amizade por isso. Sempre surgia um assunto e vinha aquela ideia “seria tão bom se aqui funcionassem assim”, vinha esse sentimento de tentar melhorar as coisas. E os alunos começaram a perguntar por que eu não saia candidato para tentar melhorar as coisas. E eu acabei levando isso a sério. Eu já tinha sido candidato a vereador pelo PRP (em 2008) e tinha sido o mais votado da legenda (com 1.582 votos), mas não me elegi devido ao quociente eleitoral. Depois, o Paulo Alexandre Barbosa acabou me chamando em 2009 para ajudá-lo na campanha a deputado estadual em 2010. Ele queria que eu o ajudasse em Guarujá, embora tivesse pouquíssimos alunos lá. Mas ele tinha gostado do meu tipo de campanha, e disse que precisava de alguém de confiança e queria alguém com meu perfil. Ele tinha obtido 2.500 votos em 2006 e tinha meta de dobrar essa votação lá. Graças a Deus, conseguimos 7.800 votos e ele ficou bem contente. E foi aí que recebi o convite para ir para o Democratas, porque já estavam montando chapas em conjunto com o PSDB. Fui muito bem recebido no Democratas.

DL – O senhor, por ser novo, dentro da média de idade dos políticos, já usa as redes sociais para interagir nesse início de mandato. O senhor vai manter esse canal aberto com a população?
Kenny – Tenho um compromisso, desde a campanha. Não é uma crítica, mas acho que a Câmara funcionava, até sua última formação, muito fechada. As pessoas só sabiam o que era votado no dia seguinte, com a divulgação da Imprensa. E isso deixava um pouco a desejar. Então firmei um compromisso. Falei isso abertamente isso em sala de aula. Eu não poderia votar em nada que não fosse discutido antes com a sociedade. Afinal, eu estou lá para representá-la. Então, não é uma preferência minha, um gosto meu, que vai determinar uma votação minha. (Como vereador) Eu sou um funcionário público, em primeiro lugar. Eu firmei esse compromisso e, graças a Deus, eu não estou vendo nenhuma desvantagem com isso, muito pelo contrário. Essa iniciativa está sendo muito bem aceita.

O vereador diz que tem um compromisso, desde a campanha. Mesmo não criticando, acha que a Câmara funcionava, até sua última formação, muito fechada (Foto: Thales Mauá/ DL)

DL – Uma das ideias que o senhor discutiu com os internautas foi referente ao trânsito.
Kenny
– Propus uma série de soluções para melhorar o trânsito, uma série de ações, como ciclovias, a extensão do (programa) Bike Santos para toda Cidade, não deixando apenas para o lazer, mas que se torne uma opção de transporte, com estações no Centro e Zona Noroeste, para a pessoa sair de sua casa e ir trabalhar. Apresentei essa ideia em 2008. Muitos não sabem, mas fiz essa indicação ao então prefeito João Paulo Tavares Papa (PMDB), indicando-o para as secretarias de Turismo e Esportes, não sei como foi parar na CET, mas tudo bem. Em 2010, estive em Paris (França) com 57 alunos e pude tirar fotos e pegar especificações técnicas, e fui passando essas informações para a Prefeitura para tentar convencê-la de que era viável. No início, houve muita resistência, as pessoas achavam que uma ideia como essa só daria certo no Primeiro Mundo, mas graças a Deus, deu certo.

DL – Pelo o que o senhor está apresentando de ideias, é possível dizer que, mesmo sendo professor, não vai atuar apenas em assuntos ligados à Educação na Câmara. É isso?
Kenny – Isso. Há muitos projetos a serem desenvolvidos. No que se refere à Educação, com essa questão do pré-sal, com a vocação turística da Cidade, muitas vagas estão à disposição, mas falta capacitação. O jovem vai procurar um emprego e lhe é exigido experiência. Como vai obter experiência se não dão oportunidade? Qual minha ideia? Abrir as escolas municipais, nos períodos ociosos, como finais de semana e à noite, para cursos de capacitação voltados à comunidade de cada bairro. A escola de um bairro próximo à zona portuária poderia receber cursos voltados ao Porto. Na Zona Noroeste, cursos voltados ao Esporte e Turismo. Ao abrir as escolas, facilitaria a vida dos jovens, porque haveria maior controle dos pais e não resultaria em custos relativos ao transporte.

DL – Em sua opinião, qual o principal problema de Santos?
Kenny
– No geral, Saúde. Nos equipamentos, faltam profissionais, há muito desvio de função no setor e há também o fato de estarmos perdendo profissionais para outras cidades em função dos salários, como ocorre na Educação. Não é possível uma cidade com o PIB que Santos tem (cerca de R$ 1,9 bilhão), perder profissionais por causa disso.

DL – O fato de o senhor ser de um partido da base aliada do prefeito e, como o senhor citou antes, ter sido incentivado pelo hoje prefeito para continuar na Política, vai conseguir manter independência e fiscalizar a Prefeitura?
Kenny
– Eu perguntei isso a ele. Foi uma das primeiras coisas que eu perguntei. E ele me deu essa garantia. Como eu disse no começo, sou funcionário público, e primeiramente, devo satisfação à sociedade. Por isso entrei com essa campanha aberta, transparente. O lema do meu mandato será esse: um mandato transparente, voltado para a sociedade e com valorização do ser humano.

DL – Nos primeiros dias na Câmara, o senhor já identificou algo que será necessário mudar?
Kenny
– Estamos tendo reuniões da Mesa Diretora e constatamos que a faixa etária dos funcionários é de 41 anos, e há muitos funcionários se aposentando. E já estamos elaborando estudos para fazer um novo concurso público.

DL – O senhor acredita que isso será feito este ano?
Kenny
– Não sei. Vai depender do resultado dos estudos de uma comissão. Nossa sorte é que os funcionários da Câmara são bem experientes e acabam atendendo a demanda de outros setores. Isso vem acontecendo muito e, na falta de um funcionário do setor, outro acaba cobrindo temporariamente até que a vaga seja preenchida. Atendendo a uma recomendação do Tribunal de Contas do Estado (TCE), foram cortados diversos cargos da Câmara, alguns que estavam ociosos. Mas o quadro está bem enxuto.