Se não aprovar nova Previdência, país ruma ao desastre, diz Delfim Netto

Segundo ele, o resultado em caso de fracasso do governo Michel Temer na aprovação da medida será a insustentabilidade das contas públicas e a volta da hiper-inflação

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03 MAI 2017Por Folhapress04h30
Para Delfim Netto, o Brasil estará rumando 'para o desastre'Para Delfim Netto, o Brasil estará rumando 'para o desastre'Foto: Karime Xavier/Folhapress

Para o ex-ministro da fazenda Delfim Netto, o Brasil estará rumando "para o desastre" caso não consiga aprovar a reforma da Previdência. Segundo ele, o resultado em caso de fracasso do governo Michel Temer na aprovação da medida será a insustentabilidade das contas públicas e a volta da hiper-inflação.

Delfim falou durante almoço com empresário nesta terça-feira durante a abertura da feira Apas Show, evento promovido pela Associação Paulista de Supermercados em São Paulo durante esta semana. Para ele, as reformas promovidas pelo governo não solucionam a crise da economia brasileira, mas são um ponto de partida incontornável que melhora expectativas.

Além delas, Delfim defende melhoras que aperfeiçoem a microeconomia, com o objetivo de aumentar a produtividade do país. Sobre concessões feitas pelo governo para conseguir aprovar a reforma no Congresso, o economista afirma vê-las sem grande preocupação.

Segundo ele, a reforma era, inicialmente, muito dura. Além disso, concessões que não eram desejáveis, como a retirada de algumas categorias da reforma, podem ser rediscutidas em breve, afirma.

"O fundamento dessa lei é que daqui 20 anos todos estarão no mesmo regime. Aí sim estaremos em uma república, sem privilégios", disse.

Segundo o economista, a crise brasileira foi causada por um excesso de consumo, de um lado, acompanhado da falta de investimento de outro. Na primeira categoria, ele inclui tanto gastos das famílias como também os do governo, como pagamento de aposentadorias do funcionalismo público.

"O Brasil consome demais e muito mal. Um gasto gigantesco com Estado que está apropriado por seus funcionários. Gasta muito mais com o funcionalismo do que com educação, saúde e infraestrutura, que são investimentos."