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Política

'Se Bolsonaro fosse valente enfrentaria olho no olho, não no WhatsApp', diz Haddad

O petista, que ocupa a segunda colocação na disputa eleitoral, declarou que pessoas de boa fé estão sendo confundidas

Folhapress

Publicado em 03/10/2018 às 17:20

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Em entrevista, Fernando Haddad adotou um tom diferente e partiu para o ataque / Agência Brasil

O candidato Fernando Haddad (PT) atribuiu, na manhã desta quarta-feira (3), a subida de Jair Bolsonaro (PSL) nas pesquisas de intenção de voto à onda de informações inverídicas, de acordo com ele, propagadas no aplicativo de mensagens WhatsApp.

O petista, que ocupa a segunda colocação na disputa eleitoral, declarou que pessoas de boa fé estão sendo confundidas.

Em entrevista a uma rádio de Pernambuco, Haddad adotou um tom diferente e partiu para o ataque. "Se ele [Bolsonaro] fosse valente, como diz que é, enfrentaria isso olho no olho e não pelo WhatsApp. WhatsApp é coisa de covarde. Não é coisa de político sério."

Haddad reconheceu que a campanha petista não conseguiu até agora correr atrás das mentiras propagadas com eficiência porque é bastante difícil. Falou em jogo de gato e rato.

"São milhões de mensagens mentirosas por dia e faz uma semana que isso vem acontecendo. É muito difícil conter essas mentiras porque, por exemplo, o Twitter é público, o Facebook é público, o YouTube é público. No WhatsApp, não tem como correr atrás com a mesma eficiência", afirmou.

Diferente da estratégia que vinha adotando, de não entrar em confronto com os adversários, Haddad desafiou Bolsonaro.

O petista ressaltou que seu principal adversário mente nas redes sociais. "Ele está falando coisas contra a família brasileira, contra a escola pública brasileira, acusando as professoras de, nas escolas, tratar de temas com crianças pequenas sobre sexualidade. Fazendo coisas que são a maior baixaria do mundo."

Bancos

Na entrevista, Fernando Haddad destacou que vai usar a lei para enquadrar os bancos num eventual governo petista. "Os bancos vão ter que ser enquadrados. Os juros que eles estão cobrando hoje não existem em nenhum lugar do mundo. Só para você ter uma ideia, os juros que os bancos cobram no Brasil é quatro vezes maior do que a média internacional", salientou.

O petista explicou que regras vão ser introduzidas pelo Banco Central. "Os bancos estão ao lado de Bolsonaro e eu entendo porque eles querem ganhar dinheiro com a especulação. Os bancos vão sentar à mesa comigo, mas é para negociar a redução dos juros", disse.

José Dirceu

Questionado sobre qual seria a participação de José Dirceu no governo se ganhasse as eleições, Haddad respondeu rápido. "Nenhum papel para ficar bem claro. Não há nenhum papel", repetiu.

Há uma semana, em entrevista ao jornal El País, Dirceu afirmou que, numa possibilidade de o PT ganhar as eleições e não conseguir assumir a Presidência, o partido tomaria o poder.

Condenado duas vezes em segunda instância com penas que juntas somam mais de 39 anos de prisão, Dirceu foi solto após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) e responde aos processos em liberdade desde junho.

Em relação a uma possível participação de Lula no governo, Haddad declarou que nunca deixará de ouvir o ex-presidente. "O Lula é o maior estadista da história desse país. É a pessoa que mais projetou o Brasil no mundo por boas razões."

O ex-prefeito de São Paulo disse acreditar na liberdade de Lula antes de tomar posse. "O presidente vai ser Fernando Haddad, mas eu jamais vou me negar a conversar com o ex-presidente Lula e eu espero que, até minha posse, ele já tenha sido absolvido. O recurso dele subiu pra Brasília e vão reparar o erro gravíssimo que cometeram contra ele", respondeu.

Ao ser questionado sobre se a Venezuela era uma democracia, o candidato petista afirmou que iria usar a liderança brasileira para mediar conflitos. "Não devemos entrar em guerra com nossos vizinhos em nenhuma hipótese. Não devemos tomar partido."

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