Reunião do PT tem racha e impasse adia definição sobre rumos do partido

Presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), chegou a minimizar o impasse e dizer que o texto da comissão era "muito longo" porque abarcava "diversos temas".

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01 DEZ 2018Por Folhapress13h54
Presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR).Presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR).Foto: Divulgação

Após quase dez horas de reunião em Brasília, a cúpula do PT não conseguiu acordo nesta sexta-feira (30) para elaborar um texto que sirva de base para os novos rumos do partido.

Diante do impasse, que acirrou ânimos e causou divergências além das habituais entre petistas, as correntes da sigla devem se reunir mais uma vez para tentar fechar um documento consensual de avaliação do cenário político e as novas estratégias de oposição a Jair Bolsonaro (PSL).

Segundo relatos de dirigentes, o texto preliminar, elaborado por uma comissão de nove petistas egressos das diferentes forças partidárias, não foi aceito pelas correntes CNB (Construindo um Novo Brasil), majoritária, e Movimento PT. As duas alas, com representantes no grupo que escreveu o documento inicial, decidiram produzir novos textos, o que gerou desconforto entre os demais correligionários.

Geralmente, o texto base é elaborado por um grupo do comando petista e distribuído para os integrantes do Diretório Nacional da legenda às vésperas da reunião, para que os grupos possam sugerir alterações até o dia do encontro.

Nesta sexta, porém, o texto preliminar, que trazia críticas à política econômica do segundo governo de Dilma Rousseff, causou incômodo em integrantes da sigla -e a própria ex-presidente precisou fazer uma defesa pública de sua gestão.

Já no final do dia, levantou-se uma proposta para que os três textos fossem colocados em votação -o da comissão, o da CNB e o do Movimento PT-, e o vencedor serviria de base para as modificações. Mas a ideia foi rechaçada pelas demais correntes.

A avaliação é que deslegitimar a comissão abriria um precedente ruim no partido.

As duas correntes que querem apresentar o texto alternativo ficaram de unificar suas redações e divulgar, na manhã deste sábado, um novo documento.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, as principais divergências eram sobre a autocrítica em relação ao governo Dilma.

A ideia era restringir o discurso do partido à avaliação eleitoral e ao papel como oposição a Bolsonaro, mas nem todos concordavam.

Presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), chegou a minimizar o impasse e dizer que o texto da comissão era "muito longo" porque abarcava "diversos temas".

Queremos um texto que se situe mais na avaliação do processo eleitoral e nas características do governo Bolsonaro e na nossa posição, no que vamos fazer. Não queremos um texto que analise os governos anteriores", afirmou a jornalistas antes do fim da reunião.

O comando da legenda tem sido cobrado por correntes mais à esquerda e também por aliados a fazer uma autocrítica alentada sobre os erros dos últimos anos, mas resiste em executá-la de forma pública.