Representante de juízes federais pede reforço em julgamento de Lula

Roberto Veloso disse estar "muito preocupado" com as ameaças de que teve conhecimento, sobretudo as veiculadas em redes sociais

Comentar
Compartilhar
15 JAN 2018Por Folhapress22h00
Para Veloso, está havendo um "alarde desnecessário" em torno do julgamento do recurso de Lula na segunda instância da Justiça FederalFoto: Ricardo Stuckert

Em visita à ministra Cármen Lúcia no STF (Supremo Tribunal Federal) nesta segunda (15), o presidente da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), Roberto Veloso, pediu reforço de segurança para o prédio e os juízes do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) em razão do julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Veloso disse estar "muito preocupado" com as ameaças de que teve conhecimento, sobretudo as veiculadas em redes sociais. Ele disse que levará a diretoria da Ajufe para visitar o TRF-4 no próximo dia 22 para "prestar solidariedade ao tribunal". O julgamento do recurso de Lula está marcado para o dia 24.

O representante dos juízes federais afirmou que levaria nesta tarde um pedido de providências ao ministro da Justiça, Torquato Jardim.

"Vamos levar um pedido para que ele [Jardim] tome medidas acautelatórias e apure as responsabilidades já dos atos convocatórios. Primeiro, se o patrimônio público está ameaçado, é preciso que os órgãos da segurança pública, tanto o federal quanto o estadual, tomem as providências no sentido de garantir que os prédios públicos sejam preservados. Segundo, a questão da segurança dos magistrados, porque uma das principais questões que a Ajufe defende e defenderá sempre é a independência dos juízes", declarou.

"A ministra [Cármen Lúcia] falou que o CNJ [Conselho Nacional de Justiça] é o órgão [do Judiciário] encarregado da segurança dos prédios públicos. Diante disso, nós vamos encaminhar ainda hoje um ofício ao CNJ pedindo providências."

De acordo com Veloso, os magistrados do TRF-4 e seus familiares já tiveram sua segurança reforçada, tanto por agentes do próprio tribunal como da Polícia Federal.

Na manhã desta segunda, Cármen Lúcia também recebeu no Supremo o presidente do TRF-4, o desembargador federal Carlos Eduardo Thompson Flores, para tratar da segurança no dia do julgamento.

Às 16h30, haverá audiência entre o desembargador e a procuradora-geral, Raquel Dodge.

'ALARDE DESNECESSÁRIO'

Para Veloso, está havendo um "alarde desnecessário" em torno do julgamento do recurso de Lula na segunda instância da Justiça Federal, porque não será ainda a decisão final.

"Está havendo um alarde sobre esse julgamento desnecessário, porque o Brasil é pródigo em recursos. Caso venha a ser confirmada a sentença, haverá possibilidade de recurso para o STJ [Superior Tribunal de Justiça], haverá possibilidade de recurso para o STF, e dependendo de haver maioria ou não, o próprio tribunal pode ser um destinatário de recursos", disse.

"O deferimento da candidatura daquele que está sendo acusado da prática dos crimes será feito pelo Tribunal Superior Eleitoral [TSE] e esse deferimento só vai ocorrer a partir de agosto. Não precisa esse alarde que se está fazendo agora, ainda dá um caminho processual muito grande a ser trilhado. Mas é preciso que a magistratura tenha condições de independência e tranquilidade", declarou Veloso.