Relatório da Polícia Federal cita Papa e Beto Mansur

Porém, ambos não figuram como investigados no documento da polícia.

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15 DEZ 201213h55

O prefeito de Santos, João Paulo Tavares Papa (PMDB), e o deputado federal Beto Mansur (PP) estão incluídos em um relatório encaminhado à Justiça pela Polícia Federal (PF), dentro da Operação Porto Seguro . O esquema envolve tráfico de influência, falsidade ideológica e corrupção, com pagamento de propina a funcionários públicos, para emissão de pareceres e laudos técnicos em favor de empresas com interesse em processos em trâmite no governo federal.

Os nomes de ambos e mais 16 autoridades com prerrogativa de foro — que não podem ser julgados pela justiça comum — foram publicados em reportagem do jornal O Estado de São Paulo (Estadão) desta sexta-feira (14). A publicação informa que o suspeito de chefiar a operação, o ex-diretor da Agência Nacional de Águas
(ANAC), Paulo Rodrigues Vieira, quer negociar uma delação premiada.
 
Políticos graúdos também estão na lista da PF, entre eles o deputado federal Valdemar da Costa Neto (PP), o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD), o senador
José Sarney (PMDB), o governador Geraldo Alckmin (PSDB). Até ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) José Antonio Dias Tófoli esta na lista publicada pelo jornal.
 
No caso do governador as informações são de que o ex-senador Gilberto Miranda, em telefonema interceptado pela PF, teria dito a Paulo Vieira (suspeito de ser chefe da quadrilha), que teria recebido informações privilegiadas de dentro do Governo de São Paulo. Ele teria cópia de um decreto assinado por Alckmin antes do documento ter sido publicado no Diário Oficial.
 
É importante ressaltar que tanto o governador Alckmin, como o prefeito Papa e o deputado Beto Mansur podem não ser alvos da investigação e o relatório seja, apenas, um procedimento de praxe da Polícia Federal.
 
Prefeito e deputado federal estão em lista com mais 16 autoridades. (Fotos: Matheus Tagé e Luiz Torres/ DL, respectivamente)
 
Indiciados
 
Além da ANAC, a Operação Porto Seguro envolve seis órgãos e já possui 22 indiciados, entre eles o ex-diretor executivo da Terminal para Contêineres da Margem Direita S./A (Tecondi), Carlos César Floriano. O esquema teve repercussão nacional após ser veiculada pelo Programa Fantástico, da Rede Globo e, depois, nos principais jornais do País. Um dos primeiros resultados foi a queda da chefe de Gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha.

A Operação Porto Seguro surgiu após denúncia de um funcionário que participou do esquema e depois se arrependeu. Ela envolve empresários e advogados que ofereciam propina a funcionários públicos, inclusive agências reguladoras e um ministério. O grupo encomendava pareceres técnicos e laudos em favor de empresários com interesse em agilizar processos administrativos em órgãos públicos estratégicos visando benefícios.

Papa e Beto
 
O Diário do Litoral tentou ouvir o prefeito João Paulo Papa e o deputado Beto Mansur.
 
A Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Santos, em nota oficial, informou que desconhece o teor do referido relatório e, por tal motivo, não tem condições
de se manifestar a respeito do assunto.
 
Procurado, o deputado Beto Mansur não foi encontrado, até às 20 horas desta sexta. A Assessoria do parlamentar informou que ele estaria retornando de Brasília e que a comunicação seria inviável até o fechamento da reportagem.