Região elege apenas uma mulher para a Câmara

Das 41 mulheres da Baixada Santista que concorreram ao pleito deste ano (Câmara, Alesp e Senado), apenas a jornalista Rosana Valle (PSB) foi eleita

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09 OUT 2018Por Andressa Aricieri08h20
Na visão de Rosana Valle, as mulheres – mais do que nunca - precisam ocupar espaçosNa visão de Rosana Valle, as mulheres – mais do que nunca - precisam ocupar espaçosFoto: Rodrigo Montaldi/DLr

Das 41 mulheres da Baixada Santista que concorreram ao pleito deste ano, apenas uma foi eleita: a jornalista Rosana Valle (PSB). O número está diretamente relacionado com a representatividade feminina na política da região - bem abaixo da representatividade feminina no Estado.

Na Baixada Santista as mulheres ocupam 5,2% das cadeiras (sete das 134), sendo que no Estado de São Paulo as mulheres ocupam 12,2% das cadeiras de vereador (855 das 6976 cadeiras). No Ranking de eleitas por região administrativa do Estado, a Baixada  está em último. Das 759 mulheres que foram candidatas na região, apenas sete foram eleitas.

Na visão de Rosana, as mulheres – mais do que nunca - precisam ocupar espaços.

“Ao longo da história estamos abrindo caminhos. Minha mãe foi uma das mulheres mais feministas que eu já conheci. Ela me educou com essa visão de que as mulheres precisam ocupar espaços e estamos fazendo isso. Agora eu tenho esse compromisso na política e só assim vamos construir uma sociedade igualitária. Não é possível sermos a maioria dos eleitores e termos uma representação tão pequena. Temos que participar da política e lutar por questões essenciais, como o fim da violência contra a mulher, a saúde e muitas outras bandeiras”, afirma.

Estado

O Estado de São Paulo foi o que mais elegeu mulheres no Brasil: 11 deputadas federais ingressarão na Câmara no próximo ano, quase o dobro do registrado no último pleito, quando seis deputadas foram eleitas. Apesar de ainda ser baixo, o número representa um discreto crescimento na participação feminina na política: dos 513 deputados federais eleitos e reeleitos nesse domingo, 77 são mulheres (15%), contra 51 do pleito anterior.

Na Assembleia Legislativa, dos 94 deputados eleitos em São Paulo, apenas 18 são mulheres (19%) e no Senado o mesmo número de cadeiras seguirá sendo ocupado por elas: apenas sete.

No entanto, o cenário tende a mudar: se o número ainda está baixo, foi também essa eleição que registrou o recorde de votos em uma candidata: Janaína Paschoal (PSL) foi a deputada estadual mais votada da história do país, com 2.060.786 votos. A jurista ficou conhecida por ter sido a autora do processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Superou até mesmo o filho de Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro (PSL), candidato à deputado federal, que atingiu a marca de mais de 1 milhão e 800 mil votos.

Sem representatividade

Três estados não elegeram mulheres para a Câmara: Amazonas, Maranhão e Sergipe. Em relação aos partidos, entre as eleitas, dez são do PT, legenda do presidenciável Fernando Haddad, e nove do PSL, sigla do também presidenciável Jair Bolsonaro.

Pela legislação eleitoral, os partidos deveriam lançar no mínimo 30% de candidatas mulheres nas eleições proporcionais – para a Câmara e as assembleias legislativas. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que 30% dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), formado por dinheiro público, deveria ir para a propaganda das candidatas, bem como 30% do tempo no horário eleitoral gratuito.