Rebeldes tomam o controle de base aérea no norte da Síria

Militantes contrários ao presidente Bashar Assad tomaram o controle da base aérea de Taffanaz.

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11 JAN 201310h15

Militantes islâmicos que lutam para derrubar o presidente sírio Bashar Assad tomaram o controle total da base aérea de Taftanaz, noroeste do país, nesta sexta-feira (11). A tomada da estratégica posição representa um significativo golpe sobre as forças do governo, afirmam ativistas.

A base, localizada na província de Idlib, é considerada o maior campo no norte do país para o pouso e decolagem de helicópteros que bombardeiam áreas tomadas pelos rebeldes e levam suprimentos para as tropas do governo.

Rebeldes de grupos como o Jabhat al-Nusra, afiliado à Al-Qaeda, além de outros, vêm lutando há semanas pelo controle da instalação militar e invadiram o local na noite de quarta-feira. Ativistas disseram que os rebeldes tomaram o controle dos prédios, da munição e do equipamento militar, após fortes combates de madrugada.

"No momento, os rebeldes estão no controle total da base aérea, disse o ativista Mohammad Kanaan, morador de Idlib.

Rami Abdul-Rahman, diretor do Observatório Sírio pelos Direitos Humanos, sediado em Londres, disse que esse é o primeiro grande aeroporto militar a cair em mãos rebeldes. Segundo ele, aviões sírios bombardearam o local após a tomada pelos rebeldes, mas a informação não pôde ser confirmada.

Os rebeldes tentavam tomar o controle de Taftanaz havia meses. Embora o fato possa constranger o regime de Assad, não deve ter muito efeito sobre os ataques aéreos realizados por aviões do governo, já que a maioria parte de bases mais ao sul.

Taftanaz está localizada nas proximidades da estrada que liga a capital Damasco a Alepo, no norte.

Ativistas estimam que cerca de 700 rebeldes estejam envolvidos na ofensiva contra Taftanaz, quase todos militantes islâmicos. Dentre eles há integrantes do Jabhat al-Nusra, que é ligado à Al-Qaeda, e grupos com ideologia islâmica semelhante.

Encontro na Rússia

O enviado especial para a Síria da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Liga Árabe, Lakhdar Brahimi, reuniu-se nesta sexta-feira com importantes representantes dos Estados Unidos e da Rússia para discutir a crise no país.

Brahimi, o vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia,Mikhail Bogdanov, e o subsecretário de Estado norte-americano, William Burns, reuniram-se na sede da ONU em Genebra. Nenhum deles fez declarações ao chegar para o encontro, realizado a portas fechadas.

As discussões ocorreram um dia de a Síria ter acusado Brahimi de ser "flagrantemente tendencioso", aumentando as dúvidas sobre se ele pode permanecer como mediador internacional.

Damasco criticou o veterano diplomata argelino depois de ele ter descrito como "unilaterais" as propostas que Assad fez no domingo, apresentadas por ele como uma "solução política".

Em declarações à rede britânica BBC, Brahimi atacou o plano de Assad de continuar a combater os "terroristas" rebeldes e ignorar os grupos opositores ligados a eles.

Refugiados

O número de refugiados sírios registrados em países vizinhos e no norte da África aumentou em mais de 100 mil no último mês e ultrapassou os 600 mil, informou o Alto Comissariado para Refugiados da ONU (Acnur) nesta sexta-feira.

Segundo a organização, até quinta-feira 612.134 sírios haviam se registrado como refugiados em países vizinhos ou estavam no processo de registro, ante 509.550 em 11 de dezembro.

"Trata-se de um forte aumento", disse o porta-voz do Acnur, Adrian Edwards. Ele afirmou que, apesar dos preparativos para receber os refugiados no inverno "muitos deles, dentro e fora dos campos, enfrentam situações particularmente difíceis".

A ONU diz esperar que o número de refugiados sírios em países vizinhos chegue a 1,1 milhão até junho, caso a guerra continue. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.