Quem se indigna com vaso sanitário na cela de Lula é pervertido, diz Gilmar Mendes

As declarações foram durante seu voto no julgamento de um habeas corpus pedido pela defesa do ex-governador Sérgio Cabral

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11 ABR 2018Por Folhapress04h30
Mendes fez duras críticas aos juízes federais que cuidam da Lava Jato na primeira instânciaMendes fez duras críticas aos juízes federais que cuidam da Lava Jato na primeira instânciaFoto: Carlos Moura/SCO/STF

O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), disse nesta terça-feira (10) que pessoas que ficam indignadas com o fato de a cela do ex-presidente Lula ter um vaso sanitário, por considerarem isso um privilégio, sofrem de algum tipo de perversão.

"Onde estamos com a cabeça? Aonde foi a nossa sensibilidade? É um tipo de perversão que pessoas que foram alfabetizadas, tiveram três ou quatro alimentações durante toda a vida, se comportem dessa maneira, animalesca", afirmou.

"Combater o crime, sim, punir, sim, mas com respeito à dignidade da pessoa humana. Isso [a insensibilidade] não pode ocorrer com um policial, mas muito menos com um juiz", afirmou.

As declarações foram durante seu voto no julgamento de um habeas corpus pedido pela defesa do ex-governador Sérgio Cabral (MDB-RJ), do qual Gilmar foi o relator. Por maioria de 3 a 1, os ministros da Segunda Turma determinaram nesta terça que Cabral seja transferido imediatamente de volta para uma prisão no Rio.

Em janeiro deste ano, Cabral foi transferido para a prisão no Paraná por ordem dos juízes federais Sergio Moro, de Curitiba, e Caroline Vieira Figueiredo, do Rio. Os magistrados apontaram supostas regalias a que o ex-governador teria tido acesso no sistema prisional fluminense.

Na ocasião da transferência, causou polêmica e críticas de criminalistas a cena do ex-governador chegando ao IML de Curitiba, em 19 de janeiro, para fazer o exame de corpo de delito. Ele estava com algemas nas mãos e uma corrente nos pés -o que agora, para seu retorno para o Rio, ficou expressamente proibido pelos ministros.

Ao comentar o caso de Cabral, Gilmar fez duras críticas aos juízes federais que cuidam da Lava Jato na primeira instância, especialmente Marcelo Bretas, do Rio. O ministro citou reportagens da imprensa que mostraram que Bretas acumula o recebimento de seu auxílio-moradia com o da mulher, que também é juíza. Gilmar tem sido um crítico desse benefício aos juízes em geral.

"Juiz nenhum no mundo pode fazer esse tipo de coisa. O moralismo é o túmulo da moral mesmo", afirmou Gilmar.

O ministro Dias Toffoli pediu a palavra para concordar com o colega de bancada. "O moralismo esconde coisas cruéis", disse.

"Quem fala em direitos humanos e decreta prisão de quem tem 80, 90 anos, se existe céu e existe Deus, vai ter que ajustar as contas", afirmou Gilmar. Sem ser muito específico, o ministro disse que, devido a suas posições firmes na corte, se ele tivesse vulnerabilidades, já teria sido atingido.