PT enxerga vitória 'momentânea' de Lula com decisão

O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo também considerou positiva a decisão do STF

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22 MAR 2018Por Estadão Conteúdo22h07
O PT ve uma vitória 'momentânea' do ex-presidente Lula com a decisão do STFFoto: Divulgação/Fotos Públicas

Petistas e aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliaram como uma vitória, mesmo que momentânea, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de proibir uma possível prisão do ex-presidente até o dia 4 de abril.

"Estamos no caminho certo", disse o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, um dos assessores mais próximos do petista "Queríamos que o habeas corpus fosse julgado e será julgado. É um direito constitucional de todos os brasileiros e também do ex-presidente Lula", completou.

O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo também considerou positiva a decisão do STF. "Do ponto de vista jurídico, o recebimento do habeas corpus foi correto, em total conformidade com as decisões do tribunal, e a liminar é absolutamente necessária. É evidente que nessa decisão existe a fumaça do bom direito", disse.

Para o também ex-ministro da Justiça Tarso Genro, a decisão do STF mostrou que a suprema corte se comportou como a instituição garantidora dos direitos constitucionais.

"A decisão não foi nenhuma surpresa, pois no STF sempre se encontram, em alto nível, política e direito. No caso concreto, este encontro mostrou que a exceção ainda não venceu plenamente e o garantismo constitucional ainda tem certa força na ordem jurídica do país", disse Tarso.

Outras lideranças petistas como o ex-presidente do PT Rui Falcão e o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, também fizeram comentários nas redes sociais destacando a decisão do STF com a hashtag #LulaLivre, que ficou quase todo o dia desta quinta como a mais usada no Brasil e uma das mais usadas no mundo no Twitter.

O PT, até as 20h30, se resumiu a publicar com destaque na página no partido a notícia sobre a decisão do STF.

‘Inocentes’

Lula, que visitou nesta quinta a cidade de Cruz Alta (RS), tentou demonstrar tranquilidade.

"Estou com a tranquilidade dos inocentes, e eles com a intranquilidade dos culpados. Eles sabem que montaram uma farsa para me condenar. Estão julgando os governos do Lula e da Dilma. Veja que aquele menino, o tal de (Deltan) Dellagnol, ele deveria ter sido exonerado quando contou a mentira do PowerPoint", afirmou o ex-presidente, em entrevista à rádio Guaíba, antes do final da sessão do STF.

O ex-presidente voltou a dizer que é inocente no caso do triplex do Guarujá e alvo de mentiras da Lava Jato.

"A única coisa que eu quero deste processo é que alguma instância superior, ou STJ ou STF, julgue o mérito do processo. Eu não posso aceitar, o conjunto de mentiras que foi montado para tentar condenar o Lula. Eu tenho uma relação de honestidade com o povo. O povo sabe que não minto", disse o petista.

Lula também criticou a política econômica e social adotada pelo presidente Michel Temer. "Essa gente que está aí não sabe governar, não sabe cuidar do Brasil, eles estão vendendo nosso País, e eu quero dizer que, se o PT quiser, eu sou candidato", voltou a dizer o petista.

No Rio Grande do Sul, Lula foi alvo de protestos durante a caravana que circula por cidades do interior; agora, ele seguirá para Santa Catarina e Paraná. O petista disse que o estado gaúcho está "muito conservador" e criticou as manifestações que ocorreram no município de Bagé. "Achei uma afronta, meia dúzia de fazendeiros, junto com jovens do agronegócio, acharem que podem impedir dois presidentes, dois governadores de Estado e sete deputados de entrarem na cidade."

Na passagem pela cidade gaúcha de São Borja, conhecida como "Terra dos Presidentes", Lula disse que não vai repetir o desfecho de outros ex-presidentes. "Eu, primeiro, não tenho a vocação de Getúlio (Vargas). Eu não vou me matar. Segundo, eu não tenho a vocação de João Goulart. Eu não vou sair do Brasil. Eu vou ficar aqui dentro do Brasil. Eu vou terminar minha caravana dia 28 em Curitiba, na Boca Maldita, em um grande ato público. Se quiserem tomar a decisão, tomem. Não estou acima da lei. Quero é a chance de ver o mérito do meu processo ser julgado", salienta.