PSL quer convocar Dilma, Palocci e Marcelo Odebrecht à CPMI das fake news

O esforço é liderado pelos deputados Caroline de Toni (SC) e Filipe Barros (PR), que pertencem à ala do PSL ligada ao presidente Jair Bolsonaro

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24 OUT 2019Por Folhapress21h00
Parlamentares do PSL na CPMI das fake news intensificaram a pressão para convocar a ex-presidente Dilma RousseffFoto: Agência Brasil

Parlamentares do PSL na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) das fake news intensificaram a pressão para convocar a ex-presidente Dilma Rousseff, o ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci e o executivo Marcelo Odebrecht a depor perante os deputados e senadores que compõem o grupo.

O esforço é liderado pelos deputados Caroline de Toni (SC) e Filipe Barros (PR), que pertencem à ala do PSL ligada ao presidente Jair Bolsonaro.

Em uma rede social, De Toni, apesar de afirmar que a CPMI é uma "tentativa de cercear a liberdade de expressão, de pensamento e até mesmo a liberdade de imprensa", disse que queria usar o espaço para investigar o "mensalinho do PT no Twitter/FB [Facebook], que consistia no financiamento e práticas ilegais de manipulação da opinião pública".

Já Barros entrou com um requerimento nesta quinta (24) para convidar o jornalista Taiguara Fernandes de Sousa a falar aos membros da CPMI.

Crítico da comissão, Fernandes de Sousa gravou um vídeo de uma hora em que defende que as acusações de que o presidente Jair Bolsonaro teria milícias digitais fariam parte de uma "estratégia globalista" com o objetivo de derrubar o capitão reformado.

A CPMI foi criada em julho e instalada em setembro para investigar ataques cibernéticos e o uso de perfis falsos para influenciar o resultado das eleições de 2018, vencidas por Bolsonaro.

A comissão tem se transformado em um verdadeiro campo de batalha entre governo e oposição.

Parlamentares do governo conseguiram, na sessão de quarta (23), convocar a presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR).

Já a oposição convocou os assessores da Presidência que compõem o chamado "gabinete do ódio" -Tercio Arnaud Tomaz, José Matheus Salles Gomes e Mateus Matos Diniz-, além do assessor internacional da Presidência Filipe Martins e do chefe da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social), Fabio Wajngarten.

Também tenta chamar para depor o vereador Carlos Bolsonaro (RJ), filho de Bolsonaro, e o ex-ministro Gustavo Bebianno, ex-presidente do PSL. Até agora, esses requerimentos não foram apreciados, o que gerou críticas da oposição.
"Nós não estamos convocando o senhor Carlos Bolsonaro, por exemplo, porque nós entendemos que ela [a comissão] não deve ter esse viés político", criticou a deputada Luizianne Lins (PT-CE) nesta quarta.

"Eu estou colocando que não tem um requerimento que atinja ou que tenta atingir ou constranger na política o governo. Mas aí estava listado o da Dilma, que não sei o que ela tem a ver com 2018, porque é o objeto da CPMI...até a Dilma foi colocada aí."

Em resposta, o novo líder do PSL na Câmara, deputado Eduardo Bolsonaro (SP), afirmou que o nome de seu irmão era usado na comissão como moeda de troca.

"Convocá-lo ou não o convocar, para mim, sinceramente, é um tanto quanto indiferente. Acho que, se ele vier aqui, ele vai falar muitas verdades, como sempre, nas redes sociais", defendeu.

Para o parlamentar, a CPMI tenta minar quem tem alguma "ascensão conservadora."

A crise dentro do PSL também respingou na comissão. A CPMI já aprovou o convite à deputada Joice Hasselmann (SP), ex-líder do governo no Congresso, e ao deputado Delegado Waldir (GO). Ambos estiveram no centro da disputa entre a ala bolsonarista e a ligada ao presidente do PSL, Luciano Bivar (PE).

O convite partiu do senador Rogério Carvalho (PT-SE). "Eles fizeram afirmações [Joice ligou Eduardo, Carlos e Flávio Bolsonaro a uma rede que influencia 1.500 perfis]. Fizemos então um convite amistoso, uma vez que eles demonstraram que sabem de coisas. Eles podem ajudar a falar sobre notícias falsas", afirmou o parlamentar à reportagem. Joice já falou que pretende comparecer à CPMI.

Além dos políticos, a CPMI também quer ouvir o empresário Luciano Hang, dono da Havan e apoiador de Bolsonaro.
Em rede social, ele ironizou a convocação. "Eu vou com maior prazer e todo de verde e amarelo", afirmou. "As redes sociais acabaram com o monopólio da mídia, isso quebrou a esquerda. Eles queriam calar o cidadão, que agora pode expressar seu sentimento pelo celular. Não vamos mais ficar quietos."

Há ainda convites inusitados, como o feito pela deputada Lídice da Mata (PSB-BA) à senadora Elizabeth Warren, que disputa a candidatura democrata à Presidência americana.

A parlamentar justificou o convite afirmando que a americana tem feito críticas públicas às grandes empresas de tecnologia.

A mesma deputada convidou os atores Bruno Gagliasso e Carolina Dieckmann, a apresentadora Maju Coutinho e o cantor Caetano Veloso. Todos os requerimentos foram aprovados.