Promotora que fez campanha para Bolsonaro pede afastamento do caso Marielle

A decisão foi tomada após a divulgação de fotos de Carvalho em apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PSL) e ao lado do deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL-RJ), que quebrou a placa em homenagem à vereadora assassinada.

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02 NOV 2019Por Folhapress19h37
A promotora Carmen Carvalho.Foto: Reprodução/Redes Sociais

A promotora Carmen Carvalho decidiu nesta sexta-feira (1º) se afastar das investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL).

A decisão foi tomada após a divulgação de fotos de Carvalho em apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PSL) e ao lado do deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL-RJ), que quebrou a placa em homenagem à vereadora assassinada.

O anúncio foi feito em nota do Ministério Público do Rio de Janeiro. O órgão afirmou ainda que a Corregedoria instaurou procedimento para analisar as postagens da promotora.

Carvalho divulgou uma carta na qual diz ter optado por deixar o caso por "respeito aos pais da vítima, que já sofrem com a mais dura dor, que é a perda de um filho".

"Não me permito que a esse sentimento se some qualquer intranquilidade motivada pela condução da ação penal, que se espera exitosa", escreveu ela.

A promotora também classificou a divulgação de suas postagens nas redes sociais como "lamentáveis tentativas de macular minha atuação séria e imparcial, em verdadeira ofensiva de inspiração subalterna e flagrantemente ideológica, cujos reflexos negativos alcançam o meu ambiente familiar e de trabalho".

"Durante toda a minha vida funcional, que exerço há 25 anos no Ministério Público do Rio de Janeiro, jamais atuei sob qualquer influência política ou ideológica. Toda a minha atuação é pública e, portanto, o que afirmo pode ser constatado", diz ela na carta.

Carvalho postou em sua conta no Instagram foto vestindo camisa em apoio a Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018. Ela também manifestou emoção no dia 1º de janeiro, na posse do presidente.

"Há anos que não me sinto tão emocionada. Essa posse entra naquela lista de conquistas, como se fosse uma vitória", escreveu ela.

Também publicou foto ao lado de Amorim na solenidade de entrega da medalha Tiradentes à promotora. A comenda foi proposta pelo deputado estadual Carlos Augusto (PSD-RJ), delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

As imagens foram divulgadas pelo jornalista Leandro Demori, editor-chefe do site The Intercept Brasil, em sua conta no Twitter.

No último 30 de setembro, a promotora ganhou uma Medalha Tiradentes na Assembleia Legislativa do Rio. "Há anos que assistimos e continuamos assistindo [a] pseudointelectuais que glamorizam o traficante, o criminosos, que de uma forma geral tem uma inversão de valores que coloca criminoso como herói e demoniza a polícia", afirmou em seu discurso de agradecimento.

Em seguida, fez um ataque a "essa mesma linha globalista" que, a seu ver, garante "uma política da impunidade".
"Essa política está sendo usada hoje como proteção dos direitos humanos. Está sendo usado como um escudo de impunidade. É bonitinho falar 'estou protegendo os direitos humanos'. É lindo! Mas você está mesmo? Direitos humanos é para todo mundo."

A promotora, que recebeu a medalha do governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), ex-aliado e hoje desafeto de Bolsonaro, disse mais à frente acreditar que há apenas "dois lados, o do bem e do mal".

Em sua fala, também chamou de falácia o superencarceramento e afirmou querer combater a "ideologia abolicionista": "Jamais acreditei na ideia de que criminoso é vítima da sociedade ou de qualquer tipo de desigualdade social".

A Lei Orgânica Nacional do Ministério Público veda aos promotores que exerçam "atividade político-partidária".