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Presidente egípcio diz que seus "superpoderes" são temporários

Mursi justifica seus "superpoderes" dizendo que eles são "necessários para conseguir responsabilizar aqueles que tomaram parte na corrupção e em outros crimes durante o regime anterior e o período de transição

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25 NOV 201215h34

 

Neste domingo (25), o presidente do Egito Mohamed Mursi voltou a dizer que os decretos que aumentaram seu poder têm caráter temporário. Em comunicado, ele se comprometeu a levar em conta "todas as correntes políticas" no momento de redigir uma nova Constituição para o Egito.

Mursi justificou seus "superpoderes" dizendo que eles são "necessários para conseguir responsabilizar aqueles que tomaram parte na corrupção e em outros crimes durante o regime anterior e o período de transição". O governo egípcio enfrenta uma série de protestos de juízes e da oposição, que acusam Mursi de ter se tornado um novo ditador. O presidente já disse que não é sua intenção concentrar poderes e sim diminui-los.

 

O líder diz que, por meio de suas ações, será possível "evitar uma politização do Judiciário nacional" e "abortar qualquer tentativa de dissolução da nova Assembleia Constituinte e do Parlamento". Ambos os órgãos são dominados por apoiadores de Mursi. O Conselho Judicial Supremo egípcio também se pronunciou neste domingo e disse que os decretos impostos pelo presidente só devem ser utilizados em "questões de soberania".

Em declaração à TV estatal do país, o órgão pediu que os juízes mantenham seus escritórios funcionando, depois que alguns importantes membros do Judiciário anunciaram que entrarão em greve para protestar contra o presidente.

Confrontos

Depois dos decretos de Mursi, o Egito voltou a viver cenas parecidas com a versão local da Primavera Árabe, que, em 2011, levou à deposição do ditador Hosni Mubarak. Em locais como a praça Tahrir, no Cairo, simpatizantes e oposicionistas de Mohamed Mursi se enfrentam desde sexta-feira.

Neste domingo, enfrentamentos aconteceram perto da rua Qasr al Aini, que dá acesso às sedes do Parlamento e do Conselho de Ministros. A rua está atualmente isolada por um novo muro de concreto levantado pelas autoridades.

Na Praça Simón Bolívar, dezenas de jovens lançaram pedras contra os soldados, que responderam com gás lacrimogêneo, deixando vários feridos que foram tratados em hospitais de campanha improvisados em Tahrir. Em outras cidades importantes do país, como Alexandria, sedes do partido de Mursi foram queimadas. Os opositores pedem a renúncia imediata do presidente.

Cerca de 261 pessoas já ficaram feridas nesses enfrentamentos, de acordo com o Ministério da Saúde. 128 deles são policiais, segundo o Ministério do Interior.

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