Presidenta Dilma encara a ‘solidão do poder’

Dizem que ela consulta quatro pessoas: o Luiz, o Inácio, o Lula e o da Silva.

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16 DEZ 201219h52

Discreta e avessa a badalações, a presidente Dilma Rousseff disse a amigos que será diferente agora, aos 65 anos. Quando lhe perguntaram o motivo, ela respondeu: “É que o mundo vai acabar no dia 21”.

A referência ao Calendário Maia, que prevê o fim do mundo em 21/12/12, é uma das poucas brincadeiras que Dilma tem feito nos últimos dias. Dona de temperamento explosivo, com fama de “durona”, a presidente - que completou 65 anos na sexta- feira - costuma encarar a “solidão do poder” e compartilha com poucos as angústias do governo.

No Palácio do Planalto, é comum ouvir que Dilma só consulta quatro pessoas sobre política: o Luiz, o Inácio, o Lula e o da Silva. Preocupada com “vazamentos”, ela aboliu há tempos o “núcleo duro” e as reuniões da coordenação de governo com ministros, feitas às segundas- feiras pela manhã, e muitas vezes chama os auxiliares individualmente.

Antes de partir para França e Rússia, na semana passada, Dilma se encontrou com o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS). “E então, como está o Calendário Maia?”, perguntou ela, em tom bem-humorado, numa alusão à pauta de votações da Casa. A poucos dias do fim de seu mandato, em 1.º de fevereiro de 2013, Maia corre para aprovar projetos populares, mas sua atuação incomoda Dilma e muitos no Planalto contam as horas para que ele deixe o cargo.

A polêmica, agora, é em relação aos royalties do présal. “Não há mais o que fazer”, afirmou a presidente. Embora o Planalto vá mobilizar a base aliada para não mudar as regras do jogo agora, Dilma disse não poder impedir que o Congresso derrube seu veto ao projeto que altera a divisão das receitas de exploração de petróleo.

Com poucos conselheiros, Dilma se aproximou do ministro da Educação, Aloizio Mercadante (Foto: Divulgação)