Prefeita apresenta novo traçado e obras complementares

Proposta de Guarujá poupa 446 imóveis e prevê obras viárias complementares que custarão mais R$ 30 milhões ao Estado

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17 JAN 201309h48

O novo traçado para a ponte Guarujá-Santos proposto pela Prefeitura de Guarujá foi objeto de discussão da audiência pública realizada ontem à noite, no Teatro Procópio Ferreira (Av. Dom Pedro I, 350, Enseada), em Guarujá. A audiência pública foi uma iniciativa conjunta da Prefeitura e Câmara Municipal para apresentar o projeto do Município à ligação seca com a cidade de Santos. A ponte estaiada que será construída pelo Governo do Estado não será pedagiada.

Conforme o projeto de Guarujá, o novo traçado prevê que a ponte Guarujá-Santos margeie o Rio Santo Amaro e termine na Avenida Santos Dumont, em Vicente de Carvalho, minimizando assim os impactos em zona urbanizada e evitando desapropriações. O projeto, que vislumbra ainda obras viárias complementares, possibilita a ligação com vários pontos do Município.

“O Governo do Estado nos permitiu que apresentássemos um traço alternativo que privilegia áreas já impactadas em detrimento a áreas já urbanizadas, com residências. O bom do nosso projeto é que desvia completamente o viaduto para a avenida Santos Dumont permitindo que no futuro a gente possa chegar até o túnel da Vila Zilda, num projeto complementar. Então já é uma obra com visão de 10, 20 anos”, afirmou a prefeita Maria Antonieta de Brito.

O secretário de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano de Guarujá, Duino Verri Fernandes, explicou que pelo projeto inicial com traçado na Avenida Adhemar de Barros, teriam que ser desapropriados 446 imóveis no valor de R$ 67 milhões, o que afetaria diretamente o bairro Santo Antonio.

Já as obras complementares à ponte foram planejadas para dar maior fluidez ao sistema viário, considerando o volume de tráfego que será reflexo do acesso metropolitano facilitado. De acordo com Duino, o projeto complementar prevê a construção de viadutos. “Um dos viadutos vai possibilitar que a Puglisi saia direto na Piaçaguera(rodovia Cônego Domenico Rangoni).

Ainda de acordo com o secretário, para as obras adicionais será necessário um investimento de R$ 30 milhões, que também serão custeados pelo Governo do Estado. Duino afirmou que só a ponte seca tem um orçamento previsto de R$ 693 milhões. Com isso, o custo total do empreendimento sobe para R$ 723 milhões.

Duino disse que a ponte terá interligação com a avenida perimetral, com a região leste do Município (Enseada). “Então nós temos que usar a avenida Lídio Martins Corrêa”.

Duino afirmou que há uma estimativa de que as obras sejam concluídas no final de 2012. A construção da ponte e as obras viárias complementares serão feitas conjuntamente.

“No aspecto comercial, nós entendemos que existem várias maneiras de se fazer logística e a ponte é uma delas”, afirmou o diretor titular regional do Ciesp/Fiesp de Santos, Ronaldo de Souza Forte.

O deputado estadual Paulo Alexandre Barbosa, que é presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Ligação Seca Santos-Guarujá, disse que “é importante que a obra saia do papel”. O deputado lembrou que essa ligação é um projeto de cerca de 70 anos e, que, agora, a possibilidade se torna real.

Paulo Alexandre enfatizou que é importante ouvir a sociedade civil nesse processo e, por isso, a Frente Parlamentar promoverá audiência pública na próxima quinta-feira, no Delphin Hotel, também em Guarujá, às 19 horas, da qual participarão órgãos como a Associação Comercial e Empresarial de Guarujá (Aceg) e Convention & Visitors Bureau de Guarujá, entidades presentes no evento de ontem.

A deputada estadual Maria Lúcia Prandi, que declarou no final do ano passado que não havia verba prevista no orçamento de 2010 do Governo do Estado para a ligação seca, afirmou que é possível o Estado remanejar recursos para investir no empreendimento.

“Na verdade através de uma parceria público-privada (PPP) e como o orçamento é extremamente abrangente e não detalhado, com vontade política, ele (José Serra) poderá encontrar algum caminho, mas destinação de recursos no valor significativo necessário, mesmo pra uma PPP, hoje não tem. Ele terá que fazer um remanejamento de outras áreas”.

O projeto básico das obras da ponte Guarujá-Santos foi elaborado pela Vetec Engenharia, contratada pelo Governo do Estado. O projeto do novo traçado já foi encaminhado ao Governo do Estado e a prefeita espera que o governador se pronuncie nos próximos dias.

Saída gratuita

A ponte Guarujá-Santos não terá praça de pedágio. “A ausência de pedágio é uma luta antiga das cidades da Região Metropolitana. É inconcebível ter que pagar pedágio para ir à Cubatão, Bertioga ou Santos. Estamos ilhados”, declarou a prefeita Maria Antonieta esclarecendo que ao menos dentro da Região Metropolitana sejam abolidas as praças de pedágio.

“Eu entendo que a cobrança do pedágio tinha que ser fora da Região Metropolitana, para sair ou entrar. Agora, dentro da Região temos que ter a liberdade de se descolar”.

Projeto inicial

O estudo inicial previa a ligação dos dois municípios pelos bairros da Ponta da Praia, em Santos, e Santa Rosa, em Guarujá. As obras de Santos não devem sofrer alterações, em princípio, A rampa deverá ser construída a partir da Avenida Mário Covas.