PRB procura desvincular sua imagem da Igreja Universal

Processo visa descolar a imagem, mas não a influência da denominação neopentecostal no partido.

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12 JAN 201313h37

O PRB iniciou um processo para tentar descolar sua imagem da Igreja Universal do Reino de Deus, sem tirar da denominação neopentecostal a influência no partido. O primeiro passo será a nomeação de Marcos Cintra, ex-secretário municipal do Desenvolvimento Econômico e do Trabalho de Gilberto Kassab (PSD), para a presidência estadual da sigla. Cintra vai substituir o deputado federal Vinicius Carvalho, ligado à igreja

O comando nacional da legenda será mantido nas mãos de Marcos Pereira, bispo licenciado da Universal, bem como o da direção municipal, que permanecerá com Aildo Rodrigues, também membro da igreja. A nomeação de Cintra será anunciada até o fim deste mês.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o ex-secretário confirmou que sua ida para o PRB faz parte da tentativa da sigla de desvincular sua imagem da Universal. Para ele, a legenda precisa se tornar laica.

"Acho importante contribuir para tirar essa característica religiosa do partido. É algo que ele não deve ter, não pode ter. Um partido, para chegar a ser de porte médio ou grande, precisa ser laico, capaz de absorver todas denominações e ao mesmo tempo não ser dominado por nenhuma", afirmou Cintra, citando a campanha para a Prefeitura no ano passado - o PRB lançou a candidatura de Celso Russomanno.

O primeiro passo será a nomeação de Marcos Cintra, ex-secretário municipal do Desenvolvimento Econômico e do Trabalho de Gilberto Kassab (PSD), para a presidência estadual da sigla. (Foto: Divulgação)

"Lembro que na campanha do Russomanno a imagem era de um partido evangélico, mais especificamente da igreja Universal. Eu acho que o desafio é exatamente desfazer essa imagem: mostrar que ele é laico e moderno."

‘Coordenador fantasma’

Na disputa paulistana, a pasta então comandada por Cintra abrigava o suposto coordenador do plano de governo de Russomanno, considerado um "laranja". Na época, o candidato do PRB liderava todas as pesquisas de intenção de votos em São Paulo e era cobrado por não revelar os colaboradores de seu programa de governo.

Carlos Alberto Joaquim, chamado de "Carlos Baltazar", era apontado por integrantes da campanha como o coordenador do plano de governo. Funcionário concursado de baixo escalão da Prefeitura, ele realizava apenas função secundária no comitê, como agrupar sugestões de propostas enviadas por colaboradores de Russomanno.

O ex-secretário negou ter se desligado do partido de Kassab por causa de rusgas com correligionários ou por ter perdido espaço político. "Estou muito bem no PSD, gosto muito do Kassab, de todo mundo do partido, tenho absoluta convergência. Mas o desafio que o PRB apresenta hoje, me convidou para participar, me estimulou muito", disse.

A meta do PRB para 2014, segundo ele, é de ampliar a bancada da legenda na Câmara de 10 para 25 deputados federais. "A meta do presidente (Marcos Pereira) é chegar a 25 em 2014. Acho que é absolutamente viável", disse o ex-secretário.

A cúpula do partido também já articula em São Paulo possíveis alianças para a disputa estadual. O presidente nacional do PRB já disse que Russomanno deverá ser candidato em 2014, em voo solo ou numa aliança com o PT ou com o PSDB do governador Geraldo Alckmin.