País vive um apagão de lideranças, diz cientista político

Apesar de legítimas, as manifestações não devem ter força suficiente, neste momento, para provocar mudanças significativas nos rumos do País

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22 MAR 201511h58

O País atravessa uma de suas maiores crises no âmbito político, econômico e social e as manifestações de domingo, 15, que levaram uma multidão às ruas de todo o Brasil contra a gestão do PT, a presidente Dilma Rousseff e o escândalo na Petrobras, são um reflexo do descontentamento e da indignação das pessoas.

Apesar de legítimas, as manifestações não devem ter força suficiente, neste momento, para provocar mudanças significativas nos rumos do País, especialmente porque Dilma já deixou patente sua deficiência para comandar este processo, avalia o cientista político e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Fábio Wanderley Reis. Em paralelo a isso, o especialista aponta que o País vive praticamente um apagão em termos de lideranças políticas que possam conduzir o barco neste momento de caos e recolocar a nação na rota do crescimento.

Na avaliação de Wanderley, o clima nacional piorou após a reeleição de Dilma. "Vivemos uma situação inédita, com desdobramentos pós-eleições onde o ódio, a animosidade e a frustração só crescem", diz o cientista político. Para ele, o crescimento da insatisfação com os rumos do País tende a aumentar na medida em que o governo Dilma está parado, desorientado e a crise, em todos os âmbitos, crescendo cada vez mais.

Na avaliação de Wanderley, o clima nacional piorou após a reeleição de Dilma (Foto: Matheus Tagé/DL)

"Vejo com perplexidade este cenário e o mais grave é que não temos lideranças que possam cumprir o papel efetivo de ajudar a tirar o Brasil desta enorme crise. Nem mesmo os líderes da oposição estão cumprindo esta função", diz, destacando que mesmo no maior partido de oposição, o PSDB, não consegue vislumbrar este papel. Ele cita, por exemplo, que considerou "infeliz" a frase do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) que prefere ver Dilma "sangrar" nos próximos quatro anos a afastá-la do cargo. Ao falar do presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), que disputou o segundo turno das eleições presidenciais, o cientista político diz que ele tem sido 'inepto dúbio e oscilante".

Para Fábio Wanderley, um dos caminhos que poderiam apontar para "a luz no fim do túnel desta crise" seria a tentativa de entendimento entre as duas maiores lideranças políticas do País, os ex-presidentes da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Seria positivo e consistente para o País se essas duas lideranças assumissem, de alguma forma um papel de protagonismo no cenário de crise que estamos vivendo."