Obras inacabadas de Papa ficam de herança

Prefeito, João Paulo Papa, deixa para seu sucessor, o eleito Paulo Alexandre Barbosa, obras e outras ações não concretizadas.

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31 DEZ 201210h16

Um mandato é feito de promessas. Algumas são cumpridas, outras não. O prefeito de Santos, João Paulo Tavares Papa (PMDB), deixa para seu sucessor, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), uma vasta herança de ações a serem concretizadas, promessas que, em oito anos de governo, ainda não saíram totalmente do papel.

A mais recente e vistosa dessas ações, que não foi finalizada a tempo do final do mandato de Papa, é a remodelação dos quiosques de toda a Orlada praia de Santos. Em março deste ano, o então secretário de Infraestrutura e Edificações Antonio Carlos Silva Gonçalves havia garantido que toda a obra estaria finalizada até dezembro. No entanto, até agora,apenas nos canais 2 e 3 as estruturas foram modernizadas e entregues.

Em uma série de matérias realizadas pela reportagem do Diário do Litoral, Nilson Barreiro, que assumiu a pasta no segundo semestre deste ano, apontou alguns problemas com obras e instalações que atrasaram a entrega das estruturas remodeladas. Entre eles, a implantação de gás encanado, que não estava prevista no projeto inicial, dificuldades no encaixe do telhado e na parte de instalação elétrica.

A Prefeitura de Santos garante, em nota, que a previsão de término das obras dos quiosques é para o primeiro semestre de 2013. Um prazo que o próximo prefeito, Paulo Alexandre Barbosa, terá de cumprir. Ressalta ainda que, até o momento, não houve acréscimo de valores no contrato.

Paço Municipal

A  fachada do Paço Municipal, na Praça Mauá, no Centro, não estará pronta a tempo para a posse do novo prefeito de Santos. A sede do Chefe do Executivo passa por obras de restauro. Segundo a Secretaria de Infraestrutura e Edificações, responsável pela supervisão dos serviços, as obras, que começaram em junho, alcançam até agora cerca de 50% do programado.

Quanto ao dia da posse do prefeito eleito, a fachada principal estará liberada de andaimes e recebe pintura das janelas, de acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura. O prédio, inaugurado em 1939, será lavado e receberá aplicação de hidrofulgante (uma espécie de impermeabilizante). O custo é na ordem de R$ 3,2 milhões, provenientes do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias. A previsão de término é março.

De acordo com assessoria, no dia da posse a fachada do passo estará liberada de andaimes. (Foto: Matheus Tagé/ DL)

Rua do Peixe

Promessa antiga é a de realocação dos comerciantes que trabalham na Rua Áurea Gonzalez Conde, a Rua do Peixe. Em entrevista para o Diário do Litoral em agosto deste ano, a secretária de Finanças da Prefeitura de Santos, Mirian Cajazeira, garantiu que o projeto de transferência dos comerciantes de pescado para terreno na Avenida Governador Mário Covas, doado pela União, estava pronto. Assim como o representante da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) na Baixada, Sérgio Martins, informou à reportagem que a liberação do local era uma questão de dias, na época.

Questionada na última semana, a Prefeitura de Santos afirma, no entanto, que ainda aguarda posse definitiva da área. “Projeto encontra-se na SPU, em Brasília”, diz a assessoria de imprensa da Administração Municipal em nota.

Já sobre o Mercado Municipal de Peixe, na Praça Gago Coutinho, ao lado do Ferry Boat,a história é outra. A promessa para o local era de reforma e melhorias para a comercialização dos pescados. “A gente não sabe de nada que vai acontecer aqui (no mercado de peixes). Tudo que ficamos sabendo é através do jornal, porque ninguém fala com a gente”, diz Ana Maria de Andrade, que é proprietária de um dos boxes do local há 16 anos.

Em 2010, o prefeito eleito Paulo Alexandre Barbosa, atuando como deputado, solicitou R$700 mil do orçamento estadual para a reforma do local. A indicação da verba atendeu a uma solicitação do prefeito Papa. Em agosto deste ano, a secretária de Finanças, Mirian Cajazeira, afirmou que as obras de reformulação do mercado estavam em processo de licitação. “Assim que for escolhida uma empreiteira, as obras iniciam”,completa.

Em nota, a Prefeitura informou que a licitação foi concluída e a empresa vencedora foi a CSO Engenharia. A programação prevê início da obra para após o Carnaval, “uma vez que durante a temporada de verão a movimentação naquela área junto ao Ferry Boat é intensa. A partir do início, o prazo de execução é de 5 meses. Custo R$ 827 mil”, ressalta.

Museu Pelé

Outra grande realização prevista para ser concluída ainda este ano é o Museu Pelé, no Centro de Santos. Em janeiro deste ano, o arquiteto responsável pela revitalização do espaço e chefe de departamento de Desenvolvimento e Revitalização Urbana da Secretaria de Planejamento da Prefeitura Municipal de Santos, Ney Caldatto, afirmou que as obras estavam dentro do cronograma, “o edifício queremos pronto até agosto. Temos metade do 1º andar feito, 80% das fundações, 40% da alvenaria e 30% das esquadrilhas”.

No entanto,a ação ainda não foi concretizada.Quem passa em frente ao local, próximo à Igreja do Valongo, vê que andaimes e homens trabalhando ainda fazem parte do cenário onde funcionará o museu. Por fora, permanecerão as paredes originais dos Casarões do Valongo. Por dentro, um design arrojado e contemporâneo. Assim é projeto que abrigará quase três mil peças do ícone Pelé.

A Prefeitura de Santos justifica o atraso da entrega do equipamento: “(A obra) está sendo executada de acordo com a captação dos recursos. A parte das fundações demandou mais tempo. A obra encontra-se em fase de acabamento e tem previsão de entrega para final 2013. No próximo ano, deverá ser concluído o acabamento e montadas as exposições do Rei do Futebol que vão ocupar o Museu”.

Já foram captados, por meio da Lei Rouanet, 75% do montante, equivalente a R$21,5 milhões. Faltam R$ 7 milhões.