FEMINICIDIO

O Olavo está na Idade Média e essa é a essência do bolsonarismo, diz Haddad

Haddad se disse um cara bem-humorado, que segue o escritor preferido da família Bolsonaro para se divertir.

Comentar
Compartilhar
09 JUN 2019Por Folhapress11h44
O arcaísmo do governo, para Haddad, é gritante.Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

O apego a Olavo de Carvalho, alguém que "está na Idade Média", é um bom exemplo da essência do bolsonarismo, segundo Fernando Haddad (PT): "Essa coisa retrógrada, pré-moderna".

Seria inclusive uma areia movediça até para o liberalismo que, num primeiro momento, foi atribuído ao governo de Jair Bolsonaro (PSL), o homem que derrotou o petista na disputa presidencial.

"Óbvio que vivi o luto de 2018", disse Haddad neste sábado (8), no Festival Todavia, em São Paulo, organizado em torno do mote "Apocalipse?". 

Sua performance eleitoral pode não ter sido o fim do mundo, mas que doeu, doeu, admitiu o ex-prefeito de São Paulo e professor universitário. "Só senti [a derrota] em função de pra quem eu perdi. Não por perder a eleição. Sabe... Pelo amor de Deus", disse, arrancando risos da plateia no Centro Cultural São Paulo.

O arcaísmo do governo, para Haddad, é gritante em quatro pastas do governo: Direitos Humanos, Meio Ambiente, Relações Exteriores e Educação (pasta que comandou nas gestões Lula e Dilma).

"Olavo está nessa", afirmou sobre a onda retrógrada que vê tomar o país. "Ele é pré-moderno, não tá evocando autores liberais como John Locke, ele tá na Idade Média."

Haddad se disse um cara bem-humorado, que segue o escritor preferido da família Bolsonaro para se divertir. 

Dia desses, viu uma série de tuítes em que Olavo defendeu que a teoria de que nosso planeta é plano, a qual não conhecia muito, não pode ser descartada por completo. 

"Não sei se a Terra é plana, mas sei que globista, em geral, é louco. O mais assanhado acaba de me dizer que uma linha enrolada em uma bola continua reta", escreveu nesta semana.

O guru do bolsonarismo "fala de terraplanismo com uma desenvoltura...", disse, em tom irônico, o ex-prefeito.
Em debate mediado por Fernanda Mena, repórter especial da Folha de S.Paulo, Haddad também falou sobre a dificuldade da esquerda em dialogar com alguns segmentos, como os evangélicos pentecostais e neopentecostais.

Para Haddad, "a rede social não é social", porque as pessoas tendem a se fechar em bolhas. "As pessoas estão atomizadas pela tecnologia" e se reúnem onde não existe espaço para o contraditório, afirmou.

"Todo mundo se sente confortável [nas redes]. Por mais louco que você seja, vai achar alguém igual a você." 

Colunas

Contraponto