O look de direita pragmática de Joice

Deputada defende privatizar Correios e fim da tabela do frete.

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12 AGO 2019Por Lincoln Spada08h55
Parlamentar é autora de biografia do ministro Sérgio Moro.Foto: NAIR BUENO/DIÁRIO DO LITORAL

Autointitulada 'Bolsonaro de saias', a líder do governo no Congresso Joice Hasselmann (PSL-SP) se diferencia e muito do padrinho que a levou à política partidária. Coerente com o discurso liberal desde a sua imagem pública como jornalista e radialista há mais de 15 anos, assumiu um look mais pragmático do que combativo, antes de estrear com 1 milhão de votos paulistas na Câmara dos Deputados.

O PT que tanto discutia em suas antigas lives no YouTube com mais de 1,2 mi inscritos foi uma única vez mencionado entre sua palestra a empresários no almoço-debate do Lide - Grupo de Líderes Empresariais, do Grupo Dória, quanto na coletiva de imprensa, em seguida na tarde da última sexta-feira (9), no Sheraton Santos Hotel. A citação foi de que não espera votos de senadores petistas para Reforma da Previdência, que estima ser sancionada até 20 de setembro.

"Nós temos uma reforma de potencial fiscal de R$ 900 bi e temos a Medida Provisória 871/19 que vai nos garantir nos próximos 10 anos outra economia de R$ 200 bi, totalizando R$ 1,1 tri". A MP é a atual lei antifraude nos benefícios do INSS. Questões econômicas estão tão alinhadas ao seu cotidiano, afinal a liderança de governo tem a missão de aprovar leis orçamentárias, que ela até relaciona que "no Brasil, um político honesto e decente é igual um empreendedor, tem que ser meio louco, pois tem que ter paixão no que faz".

Ora o seu Twitter defende a privatização dos Correios, ora o Facebook estima o fim da tabela de frete rodoviário, contrariando o anseio dos caminhoneiros. "Sou absolutamente liberal, a mais privatista do governo", reconhecendo que ambas as discussões estão no 'radar' do Governo, principalmente com a oscilação do preço do diesel no mercado internacional, "mas não há um cronograma, nem decisão sobre o tema". Para ela, o ideal seria ter um indicativo de valor à tabela, mas não a obrigatoriedade. Ao mesmo tempo, enfatiza que as privatizações merecem ser debatidas com a população, para evitar que as pessoas se enganem ou se sintam enganadas.

Joice não comentou se será cumprida a promessa presidencial de zerar o déficit orçamentário do Governo Federal em 2020. Em relação à reforma tributária, pretende que o futuro projeto de Paulo Guedes seja somado à proposta do deputado Baleia Rossi (MDB). A primeira pretende simplificar o Imposto de Renda, a volta da CPMF e um imposto único sobre consumo e serviços, sendo este tema também relacionado ao projeto da Câmara. Ainda há outro em discussão no Senado Federal. "Não penso que a reforma reduza os impostos, mas que simplifique as regras para que, junto de futuras privatizações, sejam implantados projetos que reduzam essa carga tributária".

Ao mesmo tempo, a deputada tangencia quanto aos ruídos gerados pelos constantes discursos do Bolsonaro."Ele é grandinho, vacinado, sabe o que faz. É o jeito dele, de fazer brincadeiras. Dá-se muita importância com o que tem pouca importância. Quem sou em contra a liberdade de expressão do presidente?". Em relação à fala de Jair sobre o pai do presidente da OAB, "considero como passado, e tem que ficar no passado. Estou preocupada com o futuro".

Embora antifeminista, a deputada, entre seus nove projetos de lei, apresentou um voltado à autorização de que a autoridade policial aplique medidas protetivas de urgência às vítimas de violência doméstica (em seu passado familiar, sua mãe foi vítima). Um projeto similar foi vetado pelo Temer em razão de que hoje essa medida só cabe ao juiz, e feria a Constituição segundo a OAB, a Defensoria Pública e o Ministério Público. "Mas o Temer tinha o compromisso de voltar essa discussão no Congresso, é o que estou fazendo e pretendo corrigir na Lei Maria da Penha".

Joice também diz sofrer pressão, mas de que a Executiva Nacional do PSL deseja que ela concorra à prefeitura de São Paulo. No território com terceiro maior orçamento do País, ela alcançou 289 mil votos em 2018 - patamar que a deixaria em 5º lugar na corrida eleitoral da capital em 2016.

"Eu sou muito mais eficiente que o Bruno Covas. Gosto dele é um menino bom. Mas minha mãe é gente fina, nem por isso seria uma boa prefeita. Ele não tem a capacidade de gestão, com rapidez, força e pulso que São Paulo merece". O futuro da política de timbre afinado de uma direita propositiva será definido até dezembro.

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