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O candidato à OAB de SP, Alberto Toron, quer fim do voto obrigatório

Conhecido por ter atuado em casos polêmicos, Toron esteve, na última sexta-feira, dia 23, em Santos

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26 NOV 201212h22

 

Um dos mais renomados criminalistas do País e candidato à presidência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo (Capital), o advogado Alberto Zacharias Toron esteve, na última sexta-feira, dia 23, em Santos.  
 
Conhecido por ter atuado em casos polêmicos, como os dos juízes Nicolau dos Santos Neto (escândalo do Fórum Trabalhista de São Paulo) e João Carlos da Rocha Matos (Operação Anaconda), além do caso Suzane Richtofen e do deputado João Paulo Cunha (PT), condenado no caso do Mensalão, Toron concedeu entrevista exclusiva ao Diário do Litoral.
 
Diário do Litoral – Como está a campanha?
Alberto Zacharias Toron – Nossa campanha já é vitoriosa. Nossos encontros, como esse de Santos, reúnem em média 300 pessoas. Hoje, em São Bernardo do Campo, esperamos mil pessoas. 
 
DL – A que o senhor atribui isso?
Toron – O advogado quer mudança. E temos propostas em vários níveis. Por exemplo, a Ordem lutou tampo por democracia neste País e, no entanto, precisa de um choque de democracia. As subseções precisam de autonomia administrativa e financeira. É preciso acabar com o voto obrigatório que é uma excrescência autoritária. O advogado deve votar se quiser. Precisamos instituir dois turnos nas eleições da OAB. Nas últimas eleições, a situação ganhou sem ter maioria em função da fragmentação dos votos da oposição.
 
DL – O que mais é preciso ser mudado?
Toron – É preciso fomentar a dignidade profissional, o respeito à advocacia e suas prerrogativas. Temos que ter o direito de não sermos revistados. Vamos lutar pela reciclagem do advogado, refundar a Escola Superior de Advocacia que está sucateada e criar uma cooperativa de advogados. A anuidade tem que ser  R$ 500,00. Vamos dar descontos aos jovens advogados e isentar estagiários.


 
DL – É preciso radicalizar então?
Toron – Nas últimas gestões, a OAB foi usada como trampolim político. Precisamos que a OAB se preocupe com o mercado de trabalho. Vamos privilegiar o advogado de assistência judiciária, fazer com que ele tenha acesso à Escola Superior de Advocacia gratuitamente. Vamos melhorar a tabela de honorários do convênio e proporcionar ao advogado o recebimento paulatino de seus serviços e não somente no final do processo. Vamos restituir a dignidade profissional. 
 
DL – Com relação ao ensino superior de Direito?
Toron – Exame da Ordem é necessária. Precisamos analisar as faculdades que possuem muita reprovação no exame. e aferir permanentemente a qualidade do ensino jurídico. 
 
DL – O senhor defendeu o deputado João Paulo Cunha e ele foi condenado por lavagem de dinheiro e corrupção no caso Mensalão. O que o senhor diz sobre isso?
Toron – Considero injusta a condenação e vamos aguardar o acórdão para tomar as medidas necessárias. 
 
DL – Como o senhor avalia a polêmica em torno do José Dirceu, que criticou o atual presidente do STF, o ministro Joaquim Barbosa?
Toron – Ele tem o direito de falar como qualquer preso. Ele se senti injustiçado e está externando seu inconformismo. 
 
DL – Foi um julgamento político?
Toron – O Supremo estava sendo julgado também e quis dar uma satisfação à opinião pública. E isso me preocupa muito, porque a fonte legitimadora da Justiça não é a opinião pública, mas sim a correta aplicação do Direito. 

DL – Ainda sobre o Mensalão, o senhor acredita que o ex-presidente Lula foi brindado?
Toron – Não. Mas se houverem novas provas, que se reveja o processo. 
 
DL – E no caso Celso Daniel?
Toron – Acredito que isso é um absurdo, um despropósito. 
 
DL – E o novo presidente do STJ? Qual sua avaliação?
Toron – Eu respeito muito e é um marco termos um negro na presidência do Supremo. Me preocupa a forma dele tratar as pessoas, inclusive os colegas ministros. Ele age, por vezes, com muita rispidez. Espero que isso seja uma página virada e que a sua atuação seja pautada pela cordialidade e abertura a novas ideias. Que ele abra as portas e os poros do Judiciário.
 
DL – E a questão do Carlinhos Cachoeira, que ganhou a apelação em liberdade? 
Toron – Sou muito amigo dos novos advogados dele e eles estão confiantes que ele seja absolvido. 
 
DL – Mas isso pode acontecer em função de sua influência política?
Toron – Não. Tanto que ele foi condenado. Sua influência só serviu para coloca-lo na cadeia.
 
DL – E a violência que assola São Paulo? O governador acredita que estamos no estado mais seguro do Brasil. 
Toron – O governador Geraldo Alckmin governava na época que houve uma chacina clamorosa e disse quem não reagiu (no caso os bandidos) saiu vivo. Eu não considero São Paulo o estado mais seguro. 
 
DL – Um delegado da região alertou sobre a possibilidade da volta do Esquadrão da Morte. O senhor acredita nisso?
Toron - A polícia já está agindo por conta própria e se isso se agravar, cairemos na barbárie, na selvageria total. O policial precisa ser bem remunerado, treinado e possuir boas condições de trabalho e amparo à família. Mas deve trabalhar dentro da legalidade. Se for diferente, não precisamos da polícia. 

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