No Twitter, Geddel pede para deixar o governo

Presidente do PMDB da Bahia, o ex-ministro deve disputar o governo do Estado em 2014

Comentar
Compartilhar
26 DEZ 201320h23

Um dos principais adversários da presidente Dilma Rousseff (PT) dentro do PMDB, o ex-ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima (PMDB) fez nesta quinta-feira, 26, pelo Twitter um apelo público para que ela publique no Diário Oficial da União sua exoneração da vice-presidência de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal (CEF), cargo que ocupa desde 2011.

"Cara Presidenta Dilma, por gentileza, determine publicação de minha exoneração da função que ocupo e cujo pedido já se encontra nas mãos de Vossa Excelência". Em outra mensagem, ele revelou que pediu ajuda do presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), para que ele entre em cena e o ajude a acelerar o processo. "Acabo de fazer novo e dramático apelo, agora ao presidente da Câmara, para que agilize a publicação da minha exoneração. O que esta havendo?", questionou Geddel no microblog.

Presidente do PMDB da Bahia, o ex-ministro deve disputar o governo do Estado em 2014 e teme que a manutenção de seu cargo na estatal seja usada por seus adversários na campanha eleitoral "Entreguei (o cargo) em setembro e pediram para eu aguardar um substituto. Não fiz isso com a intenção de provocar e não quero politizar", disse o peemedebista ao Estado.

O ex-ministro da Integração Nacional afirma que tem ido trabalhar, mesmo contrariado. "Não quero entrar 2014 no cargo", afirmou o peemedebista.

Geddel Vieira Lima pediu para deixar o governo pelo Twitter (Foto: Divulgação)

E-mail

Por e-mail, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, informou nesta quinta a Geddel que não tramitou na Casa Civil o pedido de afastamento feito no mês de setembro.

"Sua solicitação de afastamento deve ser encaminhada ao Conselho de Administração da Caixa Econômica Federal", escreveu a ministra, explicando que o pedido será repassado depois para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, responsável pela tramitação do ato. "Considerando seu e-mail, comuniquei-o ao Ministério da Fazenda e à Presidência da Caixa Econômica Federal, para procedermos sua exoneração", disse Gleisi no e-mail. "Estatutariamente a Caixa não nomeia nem demite. Quem faz isso é a Presidente da República. Mas não há crise nisso", rebateu Geddel.

Erro

Questionado sobre qual dos candidatos à Presidência contará com seu apoio, o peemedebista diz que não repetirá "o erro da eleição passada", quando apoiou Dilma. Em 2010, a petista prometeu se dividir entre o palanque do ex-ministro de Lula e do governador Jaques Wagner (PT), que disputava a reeleição e acabou eleito.

Na reta final, porém, Dilma apareceu de surpresa em Salvador e gravou uma declaração de apoio para o governador baiano. O gesto fez o dirigente peemedebista se insurgir contra a presidente. Em março de 2011, Geddel assumiu o cargo no banco estatal na cota do PMDB, mas não se aproximou politicamente de Dilma.

Em 2012, ele contrariou a cúpula nacional do partido e apoiou, no 2º turno, a eleição do ex-líder do DEM na Câmara ACM Neto para a prefeitura de Salvador. O adversário era o petista Nelson Pelegrino. Para a eleição estadual de 2014, Geddel tenta articular uma frente de oposição formada pelo PSDB, PPS e DEM, além do PMDB .

Na mais recente convenção nacional do PMDB, realizada em março, em Brasília, o ex-ministro foi eleito secretário-geral da sigla e ganhou força na máquina partidária. "Apesar dessa posição na Bahia, ele garantiu que fechará com a indicação de Michel Temer para ser o vice de Dilma na convenção do PMDB no ano que vem", afirma o senador Valdir Raupp, presidente nacional do PMDB.