No Peru, Aécio afirma que "ciclo do PT" acabou

O parlamentar foi convidado a falar sobre a crise no Brasil durante o Seminário Internacional América Latina: Desafios e Oportunidades

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27 MAR 201516h36

O senador tucano Aécio Neves (SP) afirmou nesta sexta-feira, 27, durante uma palestra realizada em Lima, no Peru, que "o ciclo de governo do PT já acabou, para a felicidade dos brasileiros". O parlamentar foi convidado a falar sobre a crise no Brasil durante o Seminário Internacional América Latina: Desafios e Oportunidades, organizado pela Fundação Internacional para a Liberdade (FIL).

Abrindo os debates do dia, o escritor peruano Álvaro Vargas Llosa - filho do presidente da FIL e prêmio Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa - pediu a Aécio que explicasse "o mistério desse Brasil que não termina de decolar e que todos os latino-americanos precisamos que decole para que se torne a potência da região, como uma Alemanha".

O brasileiro afirmou que um dos pontos centrais da crise é a centralização de poder adotada pelo PT, aprofundando o que Aécio chamou de um "presidencialismo imperial". A derrubada da cláusula de barreira pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 2006, foi apontada como outro ingrediente do problema político-partidário. Para o opositor, os poucos partidos ainda representativos estão sendo atropelados pelas legendas criadas exclusivamente com os objetivos de embolsar o Fundo Partidário e leiloar tempo de TV nos processos eleitorais. "Podemos chegar à eleição de 2018 com 40 partidos."

Aécio Neves afirmou que o 'ciclo do PT' no Brasil acabou (Foto: Reprodução/Facebook)

O senador mencionou a pesquisa CNT/MDA que mostrou 59% de eleitores apoiando um impeachment de Dilma. "Não é apenas o eleitorado que já se manifestou (nas urnas)", afirmou. "O que existe no Brasil não é apenas uma indignação com os enormes casos de corrupção que têm aparecido. Há hoje, no Brasil, um sentimento que permeia a sociedade de engodo. Os brasileiros se sentem enganados."

Apesar de classificar a crise como gravíssima, Aécio elogiou o ministro Joaquim Levy, em quem reconhece méritos, mas enxerga pouca margem de manobra. "É um técnico extremamente competente, mas está longe de ter a autonomia para fazer a reforma estruturante que o Brasil precisa."

Em outro tema do encontro, a relação com a Venezuela, o tucano acusou o governo de ser cúmplice da escalada de repressão adotada por Nicolás Maduro contra opositores e manifestantes. "(É) Uma das mais dramáticas consequência dos equívocos do governo do PT se dá na política externa."