Não há desculpa para não voltar a crescer, diz Joaquim Levy

O ministro da Fazenda diz que a estratégia do governo é abrir oportunidades e, nesse contexto, citou as iniciativas no mercado de crédito imobiliário

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29 MAI 201519h56

O Brasil não tem desculpas para não voltar a crescer, disse, nesta sexta-feira, 29, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, durante almoço com empresários na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Mas ressaltou: "a gente precisa se organizar". Para o ministro, o Brasil não pode mirar o passado, desejar uma economia semelhante à dos anos de 2007 ou 2010, quando houve crescimento mais robusto. Segundo Levy, o momento, agora, é olhar para o futuro. "O futuro do Brasil tem tudo para ser muito bom, para crescer".

Levy diz que a estratégia do governo é abrir oportunidades e, nesse contexto, citou as iniciativas no mercado de crédito imobiliário. "O objetivo da classe média é uma oportunidade", disse. Outra questão levantada pelo ministro é a relativa à reforma tributária, dizendo ser "um tema fundamental para garantir uma nova fase de crescimento" à economia brasileira. Acescentou que está em fase de "convergência" com o Senado e com governadores "para aumentar a alíquota de ICMS no destino". E também defendeu mudanças na cobrança do PIS/Cofins.

"Em uma economia livre, o incentivo de preços é o mais importante para o empresário", afirmou, para, em seguida, acrescentar que "chegar a um modelo mais estável de tributação é fundamental" ao investimento. Ele defendeu a reforma do ICMS e afirmou que, hoje, por causa da incerteza jurídica, as empresas estão inseguras para investir. Mas, avaliou, com a reforma tributária, a economia será beneficiada.

Guerra fiscal

Levy condenou a guerra fiscal entre os estados e afirmou que a política de incentivo ao investimento não pode depender só dos governos regionais. "É um desafio. Precisaremos muito do apoio do setor privado", afirmou, referindo-se à reforma tributária. Antes de levar o debate para o Congresso, o governo está conversando com o setor privado, completou.

Sobre a estrutura de cobrança do PIS/Cofins, Levy disse que a reforma a ser promovida deve ser "quase radical", e que o governo "trabalha dia e noite" por mudanças que incluam o crédito financeiro como alternativa.

Levy ainda reclamou da disputa entre os setores por menores alíquotas de PIS/Cofins. E disse que toda a população sofre com a atual estrutura tributária do País, inclusive os investidores.

Segundo Levy, o momento, agora, é olhar para o futuro (Foto: Agência Brasil)

Fora da zona de conforto

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse ainda que o Brasil precisa "sair da zona de conforto" na concorrência internacional. Segundo ele, dar esse passo é fundamental para a alta da produtividade. Além disso, a competitividade mais elevada deve dar o Brasil maior peso no mercado externo.

"Com o real refletindo a verdadeira produtividade, isso facilita para as empresas", disse o ministro. Levy ainda ressaltou o apoio que o Congresso tem dado às medidas de ajuste da economia e garantiu que a atividade vai responder.

Concessões

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, indicou ao mercado que "nem todas as concessões (do setor de infraestrutura) acontecerão imediatamente". Mas, ao mesmo tempo, afirmou que a sinalização do governo de que promoverá leilões de concessões "dá um norte aos empresários".

Entre as oportunidades presentes na economia brasileira, Levy citou o segmento de seguros. Segundo o ministro, a abertura de capital da "parte de seguros da Caixa criará uma excelente opção de investimento, além de trazer dinheiro para o governo". A população será ainda beneficiada, em sua opinião, porque, "na medida em que há ampliação da oferta de seguros há melhora no bem-estar da população. Na área de logística, Levy ainda citou as concessões de portos e disse que, para isso, deve ser usado um "sistema de outorga".