‘Não fecharei os olhos para nenhuma questão’, afirma Sérgio Santana

Governista do PTB promete fiscalizar o Executivo. Ele chegou à Câmara de Santos em sua quinta tentativa de ser eleito.

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03 FEV 201300h27

Presidente há oito anos da Regional Santos da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar, Sérgio Santana chegou à Câmara de Santos em sua quinta tentativa de ser eleito. Vereador pelo PTB, partido que ajudou a eleger o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), ele diz confiar no cumprimento das promessas feitas na campanha pelo chefe do Executivo. Veja, a seguir, a entrevista:

Diário do Litoral – O senhor acredita que a tragédia na boate do Rio Grande do Sul possa servir para uma reflexão sobre a segurança em estabelecimentos?

Sérgio Santana – Acredito que sim. Temos várias casas noturnas na Cidade que preocupam quanto à fiscalização. Como elas são feitas? Por que o Corpo de Bombeiros não tem poder de polícia para exigir o funcionamento das casas? Já vou pedir para o prefeito uma lista de todas as casas noturnas da Cidade para ver se elas têm licença para que, no futuro próximo, não tenhamos notícias desagradáveis como essa. Em uma reportagem, um secretário da Prefeitura afirmou que os alvarás, algumas vezes, eram emitidos de qualquer jeito. Não deve ser assim. É preciso uma fiscalização rigorosa.

DL – O senhor acredita que a legislação sobre o tema tem de ser alterada para a fiscalização ser mais rigorosa?

Santana – Acredito que sim. A Prefeitura tem de se colocar à disposição do órgão competente, que é o Corpo de Bombeiros. Precisa se orientar com os bombeiros para, no futuro, expedir as licenças. O problema de casas, como essa onde ocorreu a tragédia no Rio Grande do Sul, é que a porta de entrada é a mesma da saída. Tem de ter saída de emergência e sinalização adequada. Infelizmente, tem de ocorrer algumas tragédias para mudar algumas coisas nos municípios. E já vai começar por Santos.

DL – O senhor já tinha sido candidato a vereador em outras vezes. Como surgiu o interesse por Política?

Santana – Fui candidato cinco vezes. A primeira vez foi em 1986 pelo PTB. Desde criança, fui uma liderança. Era chefe de classe e, depois na Polícia Militar, fui escolhido como presidente da regional Santos da Associação de Cabos e Soldados e, com isso, sempre vinha lutando pelos direitos do pessoal, acabei me interessando e sai cinco vezes candidato.

DL – Pelo fato de o senhor ser policial militar, sua atuação na Câmara serámais voltada à área de Segurança?

Santana – Segurança é uma responsabilidade total do Estado, não é uma Câmara que vai mudar qualquer tipo de planejamento. A verdade é que a Câmara tem de cobrar do Estado sua atuação. Vamos ficar cobrando o que for necessário para que tenhamos uma Segurança de qualidade como é feita durante a Operação Verão. Tenho projeto na área de Educação, temas ligados à área portuária, pela questão do présal. A qualificação dos jovens deve ser uma preocupação do Município.

Sérgio Santana espera que todas as promessas feitas por Paulo Alexandre na campanha sejam cumpridas (Foto: Matheus Tagé/DL)

DL – Há praticamente um mês como vereador, qual o senhor identifica como o principal problema de Santos?

Santana – Usuários de drogas, moradores de rua e flanelinhas. É preciso tirá-los das ruas. O Estado já tem essa preocupação e vamos apoiar o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) na atenção especial que a Prefeitura vai ter ao tema. Temos que fazer com que a Prefeitura faça um recadastramento dos moradores de rua, porque o número cresceu muito nos últimos quatro anos. A responsabilidade de Santos é de cuidar dos nossos moradores de rua. Agora, aos que forem de fora é preciso dar condições para que eles voltem para suas cidades. Quanto aos flanelinhas, um cadastramento permitiria ver quem já tem problemas na Justiça ou que tenha condições de trabalho.

DL – Foi adotada em São Paulo a internação compulsória dos viciados em crack. O que o senhor acha dessa medida?

Santana - A grande maioria dos usuários já não responde por si mesma. Essa medida é importante e vai ajudar várias famílias. Santos tem de se adequar a esse projeto. É um problema social.

DL - O senhor acredita que a Prefeitura está preparada para atender esse problema?

Santana – Santos está se preparando para isso. Com a efetivação do Hospital dos Estivadores, a Prefeitura tem que destinar alas para esse tipo de tratamento para termos, em um futuro próximo, resultados positivos.

DL – O fato de o seu partido ser o mesmo do vice-prefeito, Eustázio Pereira Filho, permitirá que o senhor exerça um dos principais papeis do vereador, que é de fiscalizar o Executivo?

Santana – Espero que todas as promessas que ele fez na campanha sejam cumpridas. O partido participou da coligação acreditando em um projeto. Se esse projeto for colocado em prática, não teremos problema nenhum. Independentemente de ser do partido do vice-prefeito, caminharei junto ao Governo, mas não fecharei os olhos para nenhuma questão.

DL – O PTB confirmou esta semana a filiação do ex-presidente do Santos Marcelo Teixeira. O partido está pensando em voos eleitorais maiores?

Santana – Com a vinda do Marcelo Teixeira, sim. E é provável que também possamos receber o deputado estadual Luciano Batista (PSB).

DL – Qual o principal pedido que é feito em seu gabinete?

Santana – Recebo visitas todos os dias no gabinete. Alguns pedem emprego, outros apresentam ideias de projetos e há quem apresente uma denúncia de algum serviço.