Não é possível fazer análises políticas em cima de climas emocionais, diz Dilma

A presidente minimizou o desgaste sofrido pelo governo e pelo PT com a veiculação do programa partidário na noite de terça-feira, 5, que gerou panelaço em capitais brasileiras

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06 MAI 201513h27

Em meio às cobranças do PMDB quanto ao posicionamento do PT em relação à aprovação do ajuste fiscal, a presidente Dilma Rousseff disse nesta quarta-feira, 6, que não é possível "fazer análises políticas em cima de climas emocionais momentâneos".

Depois de uma série de articulações políticas para garantir apoio às medidas provisórias que alteram benefícios trabalhistas e previdenciários, Dilma disse ter certeza que haverá por parte dos parlamentares a "sensibilidade" para a votação do ajuste fiscal.

Nessa terça-feira, 5, o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), afirmou que não votará a MP 665 "até que o PT nos explique o que quer e, se for o caso, que feche questão para votação das matérias do ajuste fiscal".

"É impossível o País achar que ele vive de um dia para o outro grandes transformações. Então vamos aguardar para ver como é que transcorre essa votação do ajuste, vamos nos manter tranquilos, porque tenho certeza que haverá por parte dos parlamentares a sensibilidade necessária para que se vote o ajuste, principalmente porque eu tenho consciência e, além disso, eu tenho a crença que os parlamentares trabalham a favor do Brasil" disse a presidente a jornalistas, depois de participar de solenidade no Planalto de lançamento do plano nacional de defesa agropecuária.

"Nós (governo e parlamentares) podemos divergir, nós podemos muitas vezes ter posições diferentes. Agora uma convicção eu tenho: em que se pese as divergências, diferenças, acho que há uma consciência básica em todos nós, brasileiros. Nós trabalhamos a favor do Brasil. Eu vou repetir pra vocês, acho a gente não pode fazer análises políticas sobre questões relevantes como é o caso do ajuste em cima de climas emocionais momentâneos, não pode.

 Dilma Rousseff disse que não é possível

Panelaços

A presidente minimizou o desgaste sofrido pelo governo e pelo Partido dos Trabalhadores com a veiculação do programa partidário na noite de terça-feira, 5. O programa motivou a realização de "panelaços" em diversas capitais brasileiras.

Questionada pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, sobre como via o panelaço contra Lula, Dilma respondeu: "Da mesma forma como vejo qualquer manifestação. Eu já disse várias vezes para vocês que (manifestação) é normal no Brasil. Em alguns outros países manifestações assumindo a forma de 'panelaço' ou qualquer outra forma, não são consideradas normais. No Brasil, elas são normais, porque nós construímos a democracia. Então respeitar a manifestação livre das pessoas é algo que nós conquistamos a duras penas."

Ao falar sobre a sua ausência no programa partidário do PT, Dilma disse que "nem sempre" participa dos programas exibidos na televisão.

Redes sociais

A presidente também comentou a estratégia de usar as redes sociais para divulgar três vídeos por ocasião do Dia do Trabalho - pela primeira vez desde que assumiu a Presidência da República Dilma não apareceu em pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão por conta da data.

De acordo com a presidente, o governo optou por um veículo "forte e novo", que é a internet. "Nós vamos ter pronunciamentos também na mídia tradicional, televisão, rádio", comentou.

Mais cedo, durante café da manhã com jornalistas, o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva reiterou que a presidente deverá intensificar o uso de redes sociais, mas negou que essa estratégia seja uma forma de blindá-la de eventuais "panelaços".

"O local que ela (Dilma) mais se expõe são as redes sociais, a rede não tem filtro, não tem mediação, tem anonimato. O lugar que ela mais se expõe é nas redes sociais. Essa (o uso da internet) é a tendência da comunicação", disse Edinho.