Mulher de ex-diretor pagou carro em dinheiro

A mulher de Paulo Vieira disse em depoimento à Polícia Federal que comprou um Pajero por R$ 160 mil em dinheiro em 2011.

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15 DEZ 201204h39

A mulher de Paulo Vieira, apontado pela Operação Porto Seguro como chefe de uma quadrilha que comprava pareceres técnicos de órgãos públicos para beneficiar empresas de aliados, disse em depoimento à Polícia Federal que comprou um Pajero por R$ 160 mil em dinheiro em 2011.

Os investigadores pediram que Andreia Cristina de Mendonça Vieira listasse os bens adquiridos por ela nos últimos cinco anos, com o objetivo de rastrear a evolução patrimonial do grupo liderado por seu marido. Ela citou a compra de um apartamento em Ubatuba, de uma casa em Araraquara e do carro. Andreia afirmou que a compra do Pajero foi feita em dinheiro.

A mulher de Paulo prestou depoimento à PF em Brasília no dia 23 de novembro, quando a operação foi deflagrada. Ela citou a aquisição do carro e dos imóveis antes da chegada de sua advogada, que depois pediu para que ela permanecesse calada durante a conclusão do interrogatório.

Relatórios da operação confirmam que Andreia é dona de um Mitsubishi Pajero TR4 Flex HP registrado no Distrito Federal. Um carro novo desse modelo é vendido por cerca de R$ 75 mil, mas recursos como blindagem, proteção extra dos pneus, sistema de alarme e outras ferramentas de segurança podem dobrar o preço de tabela de um veículo.
A PF vai rastrear a evolução patrimonial dos investigados pela Operação Porto Seguro para apurar o suposto enriquecimento ilícito dos integrantes da organização. Paulo Vieira é apontado como líder do "núcleo duro" do grupo e foi denunciado por corrupção ativa, falsidade ideológica, falsificação de documento e formação de quadrilha. Levantamento realizado a partir da análise de correspondências eletrônicas e telefonemas interceptados aponta que Vieira comprou nos últimos anos veículos de luxo e um imóvel espaçoso em Brasília.

Uma troca de e-mails apresentada nos relatórios da operação revelou que Vieira comprou um apartamento duplex por R$ 1,47 milhão em 2012. Ele afirmou que estava disposto a fazer o pagamento "em dinheiro", como pedia o proprietário, mas acabou emitindo três cheques - um de R$ 800 mil, outro de R$ 630.750, e um terceiro, entregue ao corretor, no valor de R$ 44.250.
"Eu comprei um duplex. Agora eu posso receber até a fogueteira aqui em casa, né? Porque além de ser duplex é uma cobertura. Em cima dá pra montar até barraca", diz Vieira à irmã Mabrisa, em um telefonema interceptado pela PF.

Na mesma ligação, Vieira informa à irmã que comprou um apartamento em Perdizes, zona oeste de São Paulo. Em outro contato, Vieira diz à mulher que fez uma aplicação de R$ 1,25 milhão no Banco do Brasil. Ele também comprou uma Range Rover Sport SE preta, modelo 2012, que os policiais calculam valer R$ 300 mil. Apontada como braço político da quadrilha, a ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, teria pagado com dinheiro vivo R$ 211 mil para a compra de um apartamento na Bela Vista, em São Paulo, segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo.

Os investigadores também abrirão inquérito para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro. A PF acredita que bens adquiridos de forma ilícita, a partir de atos de corrupção, teriam sido ocultados ou dissimulados pela organização integrada Vieira.
O advogado de Paulo Vieira, Michel Barre, não atendeu os telefonemas da reportagem para comentar o assunto.