Movimento contra governo reúne milhares na Praça da Independência

Entre os pedidos dos manifestantes, o Impeachment da presidente e intervenção militar

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15 MAR 201520h31

Milhares de manifestantes – 10 mil segundo a Polícia Militar e 15 mil conforme os organizadores – tomaram a Praça da Independência, em Santos, em ato contra o governo da presidente Dilma Rousseff (PT). A palavra de ordem era ‘fora PT’. Muitos também pediam o impeachment da presidente, fim da corrupção, voto distrital misto, fim da reeleição, do financiamento de campanha e até seriedade no Supremo Tribunal Federal (STF), entre outras questões.

Os protestos começaram por volta das 13h30, na Praça do Surfista, e foram organizados pelas redes sociais. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) precisou bloquear o trânsito na praça e nas imediações dela. No meio da tarde, veículos foram proibidos de trafegar cerca de 300 metros da Praça da Independência.

Sobre um carro de som, os representantes gritavam várias palavras de ordem. O pedido foi reforçado por volta das 16h30, quando foi iniciado um abaixo-assinado pelo impeachment. Mas o que mais chamava a atenção eram as dezenas de cartazes pedindo intervenção militar, como o que estava nas mãos da aposentada Júlia Cezira Kudlinski, que se referia à Ditadura como ‘os anos dourados’.

“Foram os melhores anos que o Brasil teve. Não tínhamos violência, inflação. Nenhum militar saiu com o bolso cheio. Se os militares tivessem roubado, o PT já teria denunciado. O pessoal que fala em ditadura é comunista. Não existiu tortura. Se seu filho apronta, faz uma coisa errada, você não lhe dá umas palmadinhas?”, exemplificou.


Movimento contra governo reúne milhares na Praça da Independência (Foto: Matheus Tagé/DL)

Também portando cartaz pró-intervenção, o professor Eduardo César
justificou sua reivindicação. “Todo o sistema está podre. Já começou errado desde as Diretas Já. A roubalheira vem aumentando gradativamente. Agora, estupraram a Petrobrás. Não adianta impeachment. Tem que cair o Congresso e o Senado. A ditadura ocorreu, mas o povo deu motivo para que ela ocorresse”, afirma.   

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário, Valdir Pestana, disse que a presidente Dilma Rousseff mentiu para a população. “A campanha dela foi toda em defesa dos trabalhadores, que não iria mexer no bolso dos trabalhadores nem que a vaca tossisse. Mas a vaca tossiu. Está na hora dela sair”, afirmou.

O advogado José Francisco Paccillo afirmou que estava na manifestação por inconformismo. “Quero que mude a situação do País. Estou vendo uma verdadeira orgia sendo realizada. Os partidos estão em cima do muro. Esse movimento possui legitimidade política e jurídica”. 

O manifestante Taylor Marcos, que fez uso do microfone, disse que estava sentindo a falta dos políticos santistas na manifestação. “Eles (prefeito e vereadores) deveriam estar presentes em respeito à população santista. Não vem porque estão com medo de por a cara. Estão apostando no quanto pior, melhor. Querem uma bandeira para se agarrar. A preocupação é com o projeto político, não com a população. Definitivamente, sou contra a intervenção militar”.

Segundo informações do Comando de Policiamento do Interior, a manifestação ocorreu sem maiores problemas, mas cerca de 100 policiais foram destacados para garantir a segurança. O movimento terminou por volta das 17h30, por causa das chuvas, sem qualquer nenhum caso de violência.

No início da noite, durante a entrevista coletiva em cadeia nacional  do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e do chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, houve panelaço e buzinaço nos bairros do Macuco, Campo Grande e Aparecida. Luzes de apartamentos piscavam na Ponta da Praia, Gonzaga e Boqueirão.