Moro critica projeto de lei que altera regras da execução penal no Brasil

Ele afirmou que o texto que está na Câmara não representa a mensagem dada pela população nas urnas

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26 NOV 2018Por Folhapress19h40
Moro criticou duramente um projeto de lei que altera regras da execução penal no BrasilMoro criticou duramente um projeto de lei que altera regras da execução penal no BrasilFoto: Agência Brasil

O futuro ministro da Justiça, Sergio Moro, criticou duramente nesta segunda (28) um projeto de lei que altera regras da execução penal no Brasil. Ele afirmou que o texto que está na Câmara não representa a mensagem dada pela população nas urnas.

Como revelou a Folha de S.Paulo nesta segunda (28), um grupo de parlamentares de partidos envolvidos nas investigações da Lava Jato pressiona o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a colocar em votação nas próximas semanas projeto que altera as regras de execução penal no Brasil, afrouxando a punição a diversos crimes, incluindo os de colarinho branco.

"O projeto pode colocar em liberdade criminosos das mais variedades espécies. Não se resolve o problema da criminalidade simplesmente soltando criminosos. Assim, a sociedade fica refém desta atividade. Não me parece que a mensagem dada pela população brasileira nas eleição não tenho sido exatamente essa", afirmou o escolhido por Jair Bolsonaro para a Justiça.

Moro disse ter ligado para Maia para pedir que o projeto não fosse levado para aprovação. O futuro ministro afirmou que o projeto prejudicará o combate à corrupção.

"É uma política de flexibilização. Ele liberaliza o sistema penal como um todo e também afeta condenações e execução de pena em crimes de corrupção. Mas não só crimes de corrupção", criticou.

Segundo Moro, se o projeto for aprovado, são necessárias ressalvas em relação ao crime de corrupção. "Assim como nesses indutos natalinos", disse, nesta segunda (26), em Brasília.

Integrantes do PP -uma das siglas mais implicadas no escândalo da Petrobras e a terceira maior bancada na Câmara-, entre outros partidos, dizem ser essa uma das condições para o apoio a Maia, que tentará a reeleição ao cargo em fevereiro.

O presidente da Câmara afirmou à reportagem que estava "estudando o assunto e ouvindo algumas pessoas antes de decidir" se colocaria para votação.

Investigado em inquérito decorrente de delação da Odebrecht, ele nega que haja colegas propondo o apoio em troca da votação.

Antes de fazer pronunciamento nesta segunda, o futuro ministro Sergio Moro já havia dado declaração à Folha de S.Paulo dizendo que a proposta tem pontos controversos.