'Mensalinho' de Guarujá completa 13 anos hoje

O escândalo envolvendo o Legislativo e o Executivo estampou a capa do jornal no dia 7 de setembro de 2006, após receber as imagens captadas no dia anterior por uma câmera escondida dentro do gabinete da presidência da Câmara.

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07 SET 2019Por Da Reportagem07h01
Vereadores foram acusados de receber propina da Prefeitura para aprovar projetos de interesse do Executivo .Foto: RODRIGO MONTALDI/ARQUIVO DIÁRIO DO LITORAL

Hoje completa 13 anos que o Diário do Litoral e a Rede Bandeirantes denunciaram, com exclusividade, o esquema de pagamento de propina na Câmara de Guarujá, que ficou conhecido como 'Mensalinho'. O Diário foi o primeiro veículo a ter acesso às imagens da atividade ilícita. O escândalo envolvendo o Legislativo e o Executivo estampou a capa do jornal no dia 7 de setembro de 2006, após receber as imagens captadas no dia anterior por uma câmera escondida dentro do gabinete da presidência da Câmara.

Elas mostravam os vereadores recebendo envelopes que, supostamente, conteriam dinheiro. Os vereadores citaram o nome do prefeito. Eles foram acusados de receber propina para aprovar projetos do Executivo. O caso foi noticiado no telejornal Band Cidade.

Os 12 indiciados - vereadores e o ex-prefeito Farid Madi - continuam aguardando decisão judicial definitiva. Quatro meses atrás, na primeira sentença do caso, o juiz Marcelo Machado da Silva, da 4ª Vara Cível da cidade, decidiu anular as provas do processo e julgar improcedente a ação de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Estadual (MPE) contra Farid Madi, seu irmão Ysam Madi, o secretário de Governo da época (2005/08), Antônio Addis Filho, além de nove vereadores daquela Legislatura.

As gravações que serviram como prova na ação foram consideradas ilícitas pelo juiz por seu caráter "clandestino". O magistrado explica que sua decisão não é um atestado de que os fatos não ocorreram, ou de que os envolvidos não fizeram as práticas descritas, mas afirma que os meios probatórios utilizados como prova são vedados pela Constituição Federal. A sentença cabe recursos em outras instâncias.

Os vereadores da época citados no processo são Mário Lúcio da Conceição, José Nilton Lima de Oliveira, o Doidão, Gilson Fidalgo Salgado (presidente da Câmara há época), Honorato Tardelli Filho, Joaci Cidade Alves, Marcos Evandro Pereira, Nilson de Oliveira Fontes, Sirana Bosonkian e Helder Saraiva de Albuquerque, que por telefone revelou que provou sua inocência e que praticamente foi descartado da ação. Todos os demais foram contatados, mas não se manifestaram.

Há ainda outra ação, na área criminal, em que os acusados respondem por formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva. O julgamento só começou em 2016, na 2ª Vara Criminal de Guarujá, e até hoje não teve decisão em primeira instância.

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