Márcio França chama Russomanno para vice e admite disputar o Estado com PSDB

Ele tinha a intenção de contar com o PSDB em sua campanha e trabalhava com a possibilidade de oferecer ao partido a vaga de vice

Comentar
Compartilhar
19 FEV 2018Por Folhapress16h47
Márcio França (PSB) admitiu que concorrerá com algum candidato tucano em outubroMárcio França (PSB) admitiu que concorrerá com algum candidato tucano em outubroFoto: Divulgação

Prestes a oferecer uma "amostra grátis", como chamou o período em que assumirá o governo de São Paulo após o governador Geraldo Alckmin (PSDB) sair para disputar a Presidência, o vice-governador do Estado, Márcio França (PSB), admitiu nesta segunda-feira (12) que concorrerá com algum candidato tucano em outubro.

"Aqui em São Paulo nós temos uma candidatura do PT, que ainda não está decidida entre Luiz Marinho e Elói Pietá [...]. Nós temos uma candidatura do PMDB, que é o Paulo Skaf [...]. Teremos um candidato do PSDB. Qualquer nome que saia de lá é sempre um nome forte, porque são nomes preparados também. E teremos o nosso", afirmou o pré-candidato a governador.

França tinha a intenção de contar com o PSDB em sua campanha e trabalhava com a possibilidade de oferecer ao partido a vaga de vice. No entanto, deve prevalecer entre os tucanos a decisão de ter candidatura própria -a legenda tem hoje três pré-candidatos oficiais. O prefeito da capital, João Doria, também é apontado como alternativa.

Alckmin, que no passado chegou a sinalizar que seu partido deveria estar disposto a abrir mão de ter nome na próxima eleição, afirmou na sexta-feira (16) que apoiará o candidato do PSDB à sua sucessão, em detrimento de França.

O socialista diz que a participação de sua sigla na campanha presidencial de Alckmin independe de aliança no Estado. "O governador é a pessoa pública mais preparada para ser presidente da República", disse. Com esse desenho, o tucano deve contar com mais de um palanque em São Paulo se deixar o cargo em abril para concorrer ao Planalto, conforme planeja hoje.

Fechado com Alckmin e querendo passar ao largo das rusgas tucanas, França anunciou nesta segunda a entrada do PSC (Partido Social Cristão) no grupo de legendas que irá apoiá-lo na disputa pelo governo.

O evento, na sede da sigla aliada, no Jardim Paulista (zona oeste), teve a presença do presidente estadual do partido, o deputado federal Gilberto Nascimento, e a ausência do nome mais conhecido da agremiação, o também deputado Marco Feliciano (que estaria de saída, a caminho do Podemos).

O vice-governador já conta também com a adesão de PR, PROS e SD, o que lhe garante, de acordo com seus cálculos, 18 minutos de tempo de propaganda na TV e no rádio. PV, PPS, PCdoB, PHS, PTC e PSD estão na lista de siglas que ele ainda tenta atrair.

Ao PRB, outro partido em seu radar, ele acenou na sexta-feira (16) com um convite a Celso Russomanno para ser seu vice. O deputado federal é hoje o líder das pesquisas para a sucessão de Alckmin -alcança de 25% a 32% no Datafolha.

"Quando você agrega alguém conhecido, você supre um problema que eu tenho, que é o desconhecimento", afirmou França, que vai intensificar a agenda nos próximos meses para tentar aumentar a popularidade.

Russomanno confirmou à reportagem ter recebido o convite, mas disse que a ideia será submetida ao PRB. "Na minha vida as decisões nunca foram individuais, são sempre partidárias", afirmou o parlamentar.

A hipótese é vista como remota dentro da sigla, que tem como plano lançar Russomanno à Câmara dos Deputados, na tentativa de buscar sua reeleição e tentar fazer com que ele "puxe" outros candidatos, num esforço para ampliar a bancada federal da sigla.

'Voto em traidor'

França discursou que os próximos meses não serão "uma tarefa fácil", numa alusão à campanha. "Mas também, vamos ser francos, não existe tarefa tão fácil quanto você pegar um governo do Alckmin e ao mesmo tempo você estar sentado no exercício do cargo de governador", analisou.

"Eu posso garantir: nós vamos ter o apoio de mais de 450 prefeitos. Quando eles [adversários], acordarem, a vaca já foi pro brejo", afirmou, sob aplausos.

Em meio a elogios a seus aliados, França falou sobre a "importância de honrar a palavra" e disse reiteradas vezes que "ninguém vota em traidor".

No fim do evento, questionado pela reportagem, afirmou que não dirigia a provocação a ninguém especificamente.

No palco, o vice-governador exaltou a classe política. "A cidade, ou o Estado, nenhum lugar precisa apenas de um gestor. Um gestor é importante, claro, mas se fosse assim era mais fácil fazer um concurso público", disse.

Depois, falando aos jornalistas, minimizou as frases e negou que estivesse se referindo ao prefeito João Doria, que se elegeu com o discurso de que não é um político, mas um gestor.

"Não estou fazendo uma crítica, ao contrário", afirmou França. "Eu confio nele [Doria], é uma pessoa de palavra. Tudo que ele falou comigo até hoje ele está cumprindo. [...] Se ele renunciar [à prefeitura para se candidatar], aí ele descumpriu. E não é comigo, é com a população de São Paulo, as pessoas que votaram nele."