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Política

Lula vai ajudar na articulação política do governo com o Congresso

Na avaliação do ex-presidente, o Palácio do Planalto precisa agir rápido para evitar que a fratura na base aliada se aprofunde e a tese do impeachment ganhe força

Pedro Henrique Fonseca

Publicado em 13/02/2015 às 20:10

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ajudar na articulação política do governo com o Congresso, na tentativa de reverter o clima de animosidade entre o PT e PMDB após a vitória de Eduardo Cunha (RJ) para o comando da Câmara. Em conversa de mais de duas horas com Dilma, nesta quinta-feira, 12, em São Paulo, Lula acertou com ela um cronograma de encontros que terá em Brasília. Após o Carnaval, Lula vai se reunir com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), com o líder do partido na Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e com a bancada de senadores do PT.

Na avaliação do ex-presidente, o Palácio do Planalto precisa agir rápido para evitar que a fratura na base aliada se aprofunde e a tese do impeachment ganhe força, no rastro do escândalo de corrupção na Petrobras, que culminou com a criação de outra CPI para investigar o desvio de dinheiro na estatal. Desde que assumiu a presidência da Câmara, no dia 1.º, derrotando o petista Arlindo Chinaglia (SP), Cunha impôs uma série de reveses ao governo.

Depois de aplanar o terreno com o PMDB no Senado, Lula também quer conversar com o próprio Cunha, embora não haja nada marcado até o momento. Na quarta-feira, 11, o ex-presidente jantou na casa do prefeito do Rio, Eduardo Paes. À mesa também estavam o governador Luiz Fernando Pezão e seu antecessor, Sérgio Cabral, todos do PMDB. Apesar de terem apoiado a eleição de Cunha, eles prometeram ajudar Lula na tarefa de reaproximação.

Lula vai ajudar na articulação política do governo com o Congresso (Foto: Agência Brasil)

Ajuste

Lula disse a Dilma, no encontro de quinta-feira, que ela também deve adotar uma nova estratégia para enfrentar as críticas ao ajuste fiscal e as medidas impopulares anunciadas até aqui, como o endurecimento das regras para acesso ao seguro desemprego e abono salarial. Com esse diagnóstico, Lula sugeriu à presidente que monte uma agenda para conseguir convencer os mais diversos segmentos econômicos e políticos da importância do ajuste, insistindo que essa fase será por pouco tempo.

Para defender o ajuste e melhorar a imagem do governo, hoje muito deteriorada, Lula também aconselhou Dilma a retomar as viagens pelo País o mais rápido possível. O ex-presidente acha que ela deveria aproveitar seus discursos, nestas viagens, para explicar à população a importância das medidas econômicas e falar das fraudes que existem na concessão dos benefícios trabalhistas, de forma didática, citando que o governo está agindo para que as irregularidades acabem.

A estratégia de reação ao cerco político também prevê ações fora do Planalto. Na opinião de Lula, a presidente deve chamar uma grande reunião com governadores e prefeitos, com o objetivo de construir uma espécie de "frente de apoio" em torno das medidas para pôr a economia dos trilhos. Na conversa com Dilma, ele lembrou que fez isso no primeiro ano de governo, em 2003, quando queria aval para a reforma da Previdência.

Dilma sabe que precisa dos governadores e prefeitos para aprovar o ajuste no Congresso, mas resiste a promover o encontro com eles agora por temer que todos cheguem para a conversa "com o pires na mão", nessa época de vacas magras.

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