Lula avalia ida a protesto, mas aliados temem contaminação eleitoral

A tendência, segundo pessoas próximas ao petista ouvidas pela reportagem, era que ele descartasse a hipótese, diante do risco de contaminar eleitoralmente a mobilização

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17 JUN 2021Por Da Reportagem18h07
Lula provavelmente iria ao ato previsto para as 16h na avenida PaulistaLula provavelmente iria ao ato previsto para as 16h na avenida PaulistaFoto: Divulgação

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia a possibilidade de comparecer à manifestação nacional contra o presidente Jair Bolsonaro marcada para sábado (19) e, até esta quarta (16), ponderava tanto conselhos contrários quanto favoráveis à sua presença nas ruas.

A tendência, segundo pessoas próximas ao petista ouvidas pela reportagem, era que ele descartasse a hipótese, diante do risco de contaminar eleitoralmente a mobilização, convocada por partidos como PT, PSOL e PC do B, centrais sindicais, movimentos sociais, organizações estudantis e coletivos progressistas.

Embora em público exista apoio à participação de Lula, nos bastidores se revelou o temor de que o gesto possa servir de combustível para a narrativa bolsonarista que busca tachar os protestos da oposição como evento de apoio ao petista, maior rival de Bolsonaro para as eleições de 2022.

Um dos argumentos que desincentivam a ida foi apresentado por quadros do PT ligados à área da saúde e que acompanham o avanço da pandemia. O alerta foi o de que seria impossível evitar aglomerações em torno do ex-presidente em público.

Lula, que retornou a São Paulo após compromissos políticos no Rio de Janeiro, provavelmente iria ao ato previsto para as 16h na avenida Paulista. O petista não apareceu nos protestos convocados pela oposição em 29 de maio, que viraram a maior manifestação contra o governo durante a pandemia.

No debate de agora, uma avaliação é a de que uma imagem do ex-presidente cercado por apoiadores, ainda que com todos de máscara, sinalizaria desrespeito às recomendações. Isso respingaria negativamente no discurso do petista para se contrapor ao negacionismo de Bolsonaro.

Auxiliares fizeram a ponderação de que colocar um aparato de segurança para impedir a aproximação de simpatizantes seria uma tarefa difícil e poderia piorar a situação no meio da multidão, provocando empurra-empurra e até acidentes.

Por outro lado, há pressão de aliados que veem contradição na hipótese de ele endossar a ida às ruas, mas se ausentar. Para essa ala, a eventual participação precisa ser dissociada do pleito de 2022 e traduzida, na verdade, como engajamento pessoal do petista em uma questão imediata.