Graça Foster diz não acreditar que Barusco recebia propina sozinho

"Entrei em várias CPI com muito mais coragem que entrei hoje. Poderiam ter todas as suspeitas, mas não tinha os fatos. Tenho um constrangimento muito grande de olhar para vocês", afirmou

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26 MAR 201515h35

A ex-presidente da Petrobras Maria das Graças Foster disse nesta quinta-feira, 26, que tem dificuldade de aceitar o fato de Pedro Barusco ter recebido alguma vantagem sem que outros soubessem.

"Entrei em várias CPI com muito mais coragem que entrei hoje. Poderiam ter todas as suspeitas, mas não tinha os fatos. Tenho um constrangimento muito grande de olhar para vocês", afirmou. A ex-presidente da estatal disse que a presidente Dilma Rousseff defendeu uma melhora na gestão e aumento da produção da Petrobras.

Sobre o Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), a executiva afirmou que a Petrobras terá que se acostumar com esse enfraquecimento no projeto por alguns anos e talvez depois voltar com os investimento. "Nós poderíamos ter feito e aprovado um projeto básico melhor", afirmou.

Durante a fala, Graça também afirmou que o plano de desinvestimento da Petrobras na África existia desde 2012 e que virou presidente da estatal em 2012, sendo o desinvestimento anterior a ela.

Graça Foster disse que tem dificuldade de aceitar o fato de Pedro Barusco ter recebido alguma vantagem sem que outros soubessem (Foto: Agência Brasil)

Valores da corrupção

Graças Foster disse também que não há como saber valores de corrupção na estatal. Ela disse ter deixado na companhia, antes de se desligar da presidência, um mecanismo para mapear a corrupção levando em conta os depoimentos do operação Lava Jato. "Não sei o que o presidente Bendine concluiu", afirmou.

De acordo com Graça, os R$ 88 bilhões em perdas tratados em relatório ao conselho da Estatal não se referem apenas a corrupção. "É o valor justo por conta de uma série de ineficiências", explicou.

Dilma

A ex-presidente da companhia disse também que a presidente Dilma Rousseff não pediu que não fosse divulgado o valor de R$ 88 bilhões em perdas na estatal.

O cálculo foi apresentado por Graça ao conselho de administração da Petrobrás, indicando uma necessidade de baixa contábil no balanço do terceiro trimestre de 2014. Ela ressaltou que o valor não apareceu como nota de rodapé no balanço trimestral da empresa, mas sim em algumas páginas.

Sobre as denúncias de irregularidades feitas pela ex-gerente Venina Velosa da Fonseca, Graça fez questionamentos. "Não sei como a Venina tinha informações por tanto tempo e não passou para mim. Só fez quando foi criada a comissão interna", afirmou. Para ela, o fato não combina com Venina, uma servidora que considera competente.