Governo da Venezuela planeja demonstração de apoio a Chávez

Ao invés da posse, adiada por conta da hospitalização do presidente, governo pretende realizar cerimônia do lado de fora do palácio presidencial.

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10 JAN 201310h41

O governo de Venezuela organizava nesta quinta-feira (10) o que parece ser uma posse alternativa de mais um mandato do presidente Hugo Chávez, que está em Cuba para o tratamento de um câncer. Embora a posse tenha sido adiada por tempo indeterminado, o governo pretende realizar uma cerimônia do lado de fora do palácio presidencial, nesta quinta-feira.

O vice-presidente Nicolás Maduro pediu aos partidários de Chávez que se reúnam na frente do palácio de Miraflores para manifestar sua solidariedade a Chávez, que permanece em Cuba e há mais de um mês não é foi visto em público.

"Todos para a rua", disse Maduro durante reunião do gabinete transmitida pela televisão na noite de quarta-feira. "Vamos realizar uma grande cerimônia em homenagem ao presidente Chávez

Líderes de toda a América Latina e do Caribe foram convidados, como seriam normalmente no caso de uma posse formal. O presidente do Uruguai, José Mujica, chegou na quarta-feira mas outros chefes de Estado, como o boliviano Evo Morales e o nicaraguense Daniel Ortega também devem desembarcar na Venezuela

Hugo Chávez foi reeleito nas eleições em outubro do ano passado, mas sua posse foi adiada pois está hospitalizado em Cuba desde 11 de dezembro. (Foto: Divulgação)

Maduro disse que chefes de Estado, ministros e Relações Exteriores e outras autoridades de 19 países chegaram a Caracas. O vice-presidente, a quem Chávez designou seu sucessor no mês passado, disse que embora não vá haver uma posse oficial, o evento desta quinta-feira vai marcar o início de um novo mandato para o presidente, após ele ter sido reeleito em outubro.

"Um período histórico da segunda década do século 21 está começando sob a liderança de nosso comandante", declarou Maduro.

Mas a ausência de Chávez não pode ser ignorada. Nas posses anteriores, ele falou por horas na televisão, criticou seus oponentes e clamou a realização da revolução socialista.

A oposição, enfraquecida após duas recentes derrotas eleitorais, parece sem forças para confrontar o adiamento da posse do presidente, que foi garantida por uma medida legislativa endossada na quarta-feira pela Suprema Corte.

Chávez, que aparentemente luta por sua vida em Cuba, sem poder viajar para casa ou falar em público, permanece completa e legalmente no poder. A oposição reclama que não há instituições independentes ou tribunais dentro do país onde possa apelar da decisão.

Líderes militares mostraram que estão em sintonia com Maduro e o governo. Eles estavam ao lado dos ministros durante a reunião noturna de gabinete na quarta-feira. O comandante militar major-general Wilmer Barrientos também falou na televisão, afirmando que as Forças Armadas estão "muito satisfeitas" com a decisão judicial e estão concentradas em promover "uma sensação de paz e tranquilidade" no país.

Chávez luta contra um tipo de câncer não especificado na região pélvica desde junho de 2011 e já passou por quatro cirurgias e várias sessões de quimioterapia e radioterapia. Antes da última intervenção cirúrgica, o presidente disse que, caso não tivesse condições de se manter no cargo, Maduro deveria assumir a presidência e realizar uma eleição para a escolha de seu sucessor. As informações são da Associated Press.