'Governo Bolsonaro tem tolerância zero com crimes ambientais', diz Salles

Para ministro do Meio Ambiente, população da Amazônia precisa ser incorporada aos planos de desenvolvimento sustentável da região

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10 SET 2019Por Da Reportagem10h00
Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, em Almoço-Debate LIDEFoto: Anderson Timoteo/Rampini Produções

As políticas ambientais do governo federal pautaram a quinta edição do Almoço-Debate LIDE de 2019. Promovido pelo LIDE – Grupo de Líderes Empresariais e comandado por seu chairman, Luiz Fernando Furlan, o encontro ocorrido nesta segunda-feira, dia 9 de setembro, no Hotel Grand Hyatt, na capital paulista, teve como expositor Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, além de outras autoridades públicas, como o secretário estadual paulista de Infraestrutura e Meio Ambiente, Marcos Penido.

De acordo com Furlan, neste momento em que o Brasil é um grande protagonista em meio ambiente e signatário de tratados internacionais, é importante o LIDE ampliar cada vez mais o debate sobre as políticas governamentais nesta área.

"O Brasil é uma nação que mantém 60% do seu bioma intocável e continua, sim, no Acordo de Paris. Jair Bolsonaro inaugurou uma maneira de fazer política. Cada um dos ministros tem a confiança do presidente. É um governo de tolerância zero com o crime, inclusive na área ambiental", afirmou Salles.

Para o ministro, é fundamental fazer a regularização fundiária, promover o desenvolvimento econômico sustentável, trazer as pessoas à formalidade e proporcionar maior segurança jurídica aos empreendedores, bem como tirar os entraves desnecessários que impeçam investimentos em infraestrutura, que ajudam no crescimento econômico.

"Somente na Amazônia Legal, há mais de 20 milhões de brasileiros. Apesar da riqueza na biodiversidade, é a região mais pobre do país. Temos de desenvolver a Amazônia, de monetizar a agenda da bioeconomia, com manejo florestal sustentável. A população também tem de ser incorporada à prosperidade. Por que temos de jogar parte da economia da região para a ilegalidade?", questionou o ministro, citando as indústrias madeireira e mineradora. "Colocar a cabeça no buraco, feito avestruz, ignorando isso, não é uma boa política", argumentou.

Segundo Salles, passados mais de 500 anos da chegada dos colonizadores europeus ao Brasil, 84% da floresta é ainda preservada e 51% dos focos de incêndio encontram-se em áreas sem proprietários, sem regularização fundiária.

Em relação às leis de licenciamento ambiental, o ministro defendeu um processo desburocratizado e mais rápido, sem acarretar prejuízos ao rigor com que é feito, também para atrair aportes e acelerar a retomada econômica. Para Salles, um outro termômetro do subdesenvolvimento brasileiro é o limitado alcance do saneamento básico universal. "Não temos arcabouço legislativo para trazer investimentos privados nesta área. Temos de ter um ambiente regulatório que atraia aportes necessários, que não podem ser feitos somente pelos entes federais, estaduais e municipais e também suas autarquias", preconizou.

Pesquisa – Durante o evento, empresários e lideranças responderam a 140ª edição do Índice LIDE-FGV de Clima Empresarial. O índice, calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em parceria com o LIDE, é uma nota de 0 a 10, resultante de três componentes com o mesmo peso: governo, negócios e empregos.

Em relação ao levantamento anterior, realizado em agosto, a preocupação com o atual cenário político continua em primeiro lugar (71%), mas houve um recuo de 7% pontos percentuais (antes era 78%), seguido da crise internacional (21%), câmbio (8%) e inflação (1%). Quanto ao otimismo na situação atual dos negócios, para 51% está melhor e em ascensão, contra 45% na pesquisa anterior; 42% acham que está igual, contra 46%; e 7% avaliam que a situação está pior, contra 11% no mês passado.

Questionados sobre qual área o Brasil precisa melhorar, a infraestrutura e educação ficaram empatadas com 32% segundo os executivos, seguida por política (24%), segurança (7%) e saúde (5%). Para 49% dos entrevistados, o cenário político é o principal fator que impede o crescimento da empresa, vindo a carga tributária logo atrás com 34%. Finalmente, para 65% o Brasil deverá ter um crescimento do PIB até 1% em 2019; para 21%, 2% de elevação; para 3%, 2% de evolução e para 10% não haverá incremento na economia.

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