Giannazi quer pressão contra CPI ‘chapa branca’

Deputado estadual pelo PSOL teme que governo abafe investigações sobre escândalo da merenda

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06 JUN 2016Por Diário do Litoral09h00
Membro da oposição na Assembleia Legislativa, Carlos Giannazi garantiu que grupo irá enviar requerimentos para convocar envolvidos em todas esferas de governoMembro da oposição na Assembleia Legislativa, Carlos Giannazi garantiu que grupo irá enviar requerimentos para convocar envolvidos em todas esferas de governoFoto: Rodrigo Montaldi/DL

A instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da merenda foi aprovada no último dia 25 pela Assembleia Legislativa de São Paulo. Deputados estaduais investigarão tanto o Estado quanto as 22 prefeituras envolvidas nas denúncias, que vieram a público após a delfagração da Operação Alba Branca.

No entanto, o deputado Carlos Giannazi (PSOL) alerta para que a a CPI não seja ‘chapa branca’ e defenda ao governo.

“Nós tínhamos proposto uma CPI rigorosa. Mas o governo vinha obstruindo não só a instalação da CPI, mas também as convocações dos envolvidos. Todas as convocações foram obstruídas pelos deputados do governo.

Mas como houve muita pressão e houve a ocupação da Assembleia Legislativa pelos alunos das escolas públicas, e teve uma repercussão muito ruim para o governo, aí o governo voltou atrás e autorizou que a bancada do PSDB, junto com as bancadas governistas, apresentasse a CPI. Foi o DEM que apresentou, mas com apoio de toda base governista”, disse o parlamentar.

“Nós assinamos, mas sem dúvida vai ser uma CPI chapa branca porque, como o governo tem maioria nesta CPI, ele vai escolher o relator e o presidente, ter maioria para tomar decisões”, completou.

Giannazi espera que a fiscalização em torno dos trabalhos da comissão seja grande “para que não acabe em pizza”.

O deputado garantiu que a oposição irá enviar requerimentos para convocar todos envolvidos, seja na esfera das prefeituras ou do governo ­estadual.

“Vamos apresentar requerimentos convocando todos os envolvidos. Queremos convocar os envolvidos ligados ao governo, os ex-secretário e ex-chefe de Gabinete de Educação, ex-secretário e ex-chefe de gabinete da Casa Civil, todos eles. Os prefeitos envolvidos de todos os partidos. Todos tem que depor. A tendência não será essa.

A tendência será uma CPI governista que tentará proteger os membros do governo”, alertou Carlos Giannazi.

Porém, ele atenta que o trabalho do grupo será difícil. Por isso, Giannazi espera que haja pressão popular para que a cobrança em torno da comissão seja permanente.

“Vamos ter que trabalhar em dobro porque seremos minoria. Vamos ter, no máximo dois ou três membros numa CPI que terá de nove a onze deputados. Nossa situação é difícil, mas contamos com o apoio dos estudantes que estarão lá fiscalizando, e também com a população e opinião pública cobrando uma posição enérgica dessa CPI para que os ladrões da merenda escolar sejam punidos”, finalizou o deputado.

‘Não existe uma CPI investigando o governo’, critica deputado

Carlos Giannazi criticou a posição da bancada governista na Assembleia Legislativa. Membro da comissão de Educação e Cultura da casa, o deputado afirmou que a base do governo Geraldo Alckmin obstruiu diversos requerimentos convocando envolvidos no escândalo da merenda.

“É obstrução. O governo obstruiu. Eu apresentei alguns requerimentos, a oposição tinha mais de 20 requerimentos convocando pessoas ligadas ao governo. O ex-chefe de gabinete da Casa Civil, Luiz Roberto ‘Moita’, o ex-chefe de gabinete da secretaria de Educação, Fernando Padula. Vários requerimentos foram obstruídos sistematicamente pelos deputados do governo porque o governo não quer ser investigado”.

O parlamentar ressaltou que, até a abertura da CPI da merenda, não havia nenhuma comissão parlamentar que investigasse o governo Geraldo Alckmin.

“Não existe uma CPI investigando o governo porque todas elas são obstruídas. Em São Paulo tem ladrão de trem, de merenda escolar, de transporte escolar, de ICMS. Apresentamos todas as CPIs e todas foram obstruídas. Mesmo requerimentos convocando pessoas envolvidas nessas máfias também são requerimentos obstruídos pela situação, pelos deputados da base do governo”.

A CPI da merenda visa apurar e investigar contratos firmados por Cooperativas e Agricultura Familiar com o governo do Estado de São Paulo e municípios paulistas.