Gestor da Funarte se negou a dialogar com novo ministro da Cultura

O novo ministro da Cultura, Marcelo Calero, confirmou por rede social que já pode pensar em um outro nome para comandar a Funarte (Fundação Nacional das Artes)

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22 MAI 2016Por Folhapress21h30
O novo ministro da Cultura, Marcelo Calero, confirmou por rede social que já pode pensar em um outro nome para comandar a Funarte (Fundação Nacional das Artes)O novo ministro da Cultura, Marcelo Calero, confirmou por rede social que já pode pensar em um outro nome para comandar a Funarte (Fundação Nacional das Artes)Foto: Divulgação

O novo ministro da Cultura, Marcelo Calero, confirmou por rede social que já pode pensar em um outro nome para comandar a Funarte (Fundação Nacional das Artes).

Na sexta-feira (20), Francisco Bosco, atual presidente da Funarte, escreveu em sua página no Facebook que foi procurado por Calero e decidiu a expor o teor da conversa. Bosco disse que se negou a conversar com o representante escolhido pelo presidente interino Michel Temer para conduzir a política cultural do governo.

Afirmou que, embora avalie positivamente a gestão de Calero à frente da Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro, não há como "conversar com alguém que pactua com um governo que derrubou o governo anterior de forma ilegal e ilegítima".

O presidente da Funarte disse que dialogar com o atual governo significaria aceitar sua legitimidade. "Esse governo eu não reconhecerei nunca (...) não posso nem mesmo lhe desejar boa sorte, já que meu único desejo e minha única luta é para que esse governo caia", escreveu Bosco.

Ele classificou como oportunistas os artistas que defendem a existência do MinC "com uma argumentação completamente destituída do contexto político mais amplo e do sentido político do ministério".

Disse ainda que a luta pela valorização do ministério não pode ser encarada de forma isolada. "Um MinC para financiar as velhas elites lobistas é tudo que não precisamos (...). A luta pelo MinC não pode ser separada da luta contra o golpe e da luta por uma sociedade profundamente democrática", finalizou.

Bosco se antecipou a eventuais críticas e justificou, no texto, seu direito de tornar pública a iniciativa de Calero: "Hesitei em postar isso porque geralmente repudio a publicização de conversas privadas; mas nesse caso penso que tenho o direito de tornar público o meu posicionamento político".

Calero entrou em contato com Bosco ainda como Secretário Nacional de Cultura, antes da recriação do MinC anunciada neste sábado (21).

Procurado pela Folha, o ministro Marcelo Calero não se manifestou até a publicação desta reportagem.